Dissipa-se como a neblina, diante de um piscar de olhos impotentes, tomados por lágrimas de fragilidade, esta vida. A nossa presença não passa de um breve instante, como o desse vapor d’água, que sobe do pó da terra e se condensa, mas logo desaparece.

Somos um instante no tempo.

Que é, pois, o tempo? Quem há que possa compreendê-lo? Há sequer um capaz de perscrutá-lo desde o princípio ou vir a conhecer a soma dos seus dias?  

Perante o tempo, percebemos nossa brevidade. Ao findar-se a história de alguém que, assim como nós, é como um instante, sentimo-nos frágeis tal qual um cristal. Nossos olhos se abrem e por eles escorre a dor de um amor que se faz saudade.

Mas por que há em nós uma inconformidade com a finitude temporal?

Ora, porque não fomos criados para o tempo, mas para a eternidade. Deus pôs a eternidade no nosso coração. Por isso, a morte nos causa tamanho amargor. Não fomos criados para morrer, mas para a vida eterna.

A queda e o pecado nos tornaram reféns da limitação do tempo e condenados à morte. Todavia Cristo nos libertou da morte nossa morte, por intermédio de Sua morte, e nos concedeu a vida eterna, por intermédio de Sua ressurreição.

Quando é grande o temor, em face dos mistérios da nossa finitude, e da incompreensão de como será o porvir, lembremo-nos do que a Palavra nos assegura.

A morte foi tragada pela vida e já não mais detém aqueles que são salvos em Cristo. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Já não são, pois Cristo nos deu a vitória em Si mesmo.

Nossa verdadeira vida está oculta em Cristo e será manifestada com Ele em glória. Não existe morte para nós. Temos, pois, firme a esperança da ressurreição para a vida eterna, quando o mundo reconhecerá que somos filhos de Deus e glorificará o Seu nome.

Portanto, mesmo em saudosos lamentos por uma pessoa querida, encontramos consolo e temos a convicção de que estaremos juntos, sem as limitações do tempo, sem este corpo de corruptibilidade, para glorificar, louvar e gozar eternamente do nosso Amado Senhor.

Radicados em Cristo, provamos a calmaria inefável da esperança que Sua vitória nos concede. Apegados à Palavra, por fé, podemos andar seguros.

Sabendo que aos nossos dias na terra o Senhor deu o comprimento de alguns palmos: Como aproveitar os momentos que Ele nos concede na presença dos irmãos?

Recorde que estamos na igreja porque o modo pelo qual Deus decidiu nos transformar foi a edificação mútua. Aproveitemos, assim, todas as oportunidades para exibir Cristo aos irmãos e receber mais de Cristo por eles.

Não conhecemos o comprimento dos palmos que teremos juntos. Não sabemos quando um de nós não estará mais aqui. O amor gerado e os conselhos dados é o que permanecerá guardado no coração dos que ficarem.

Especialmente nós, que somos jovens, devemos buscar aprender com aqueles que já vivem a idade de suas cãs. E quando estes não estiverem mais conosco, nossa memória nos trará a lembrança todo o bem que resultou a vida deles e poderemos imitar a fé que tiveram.

“Lembrem-se de seus líderes que lhes ensinaram a Palavra de Deus. Pensem em todo o bem que resultou a vida deles e sigam o seu exemplo de fé” (Hebreus 13:7 – NVT).

Recentemente, nós, do Eu vos Escrevi, bem como muitos dos que estão lendo este texto, perdemos um amado irmão, que por muitos anos nos liderou.

Dia 17 de outubro, nosso irmão Ezra Ma, completou sua carreira aqui e entrou no descanso do Senhor. Com ele aprendemos valiosas lições, que acolhemos no coração. Este irmão piedoso amou a Palavra, buscou-a, praticou-a, e nos ensinou a assim também fazermos.

Ezra foi nosso líder, mas, sobremodo, um servo do corpo de Cristo. Derramou-se em favor da edificação da igreja e nada reteve. Um homem simples, acessível a todos, disposto a ouvir, acolher, aconselhar e exortar com sabedoria.

Não foi um herói, nem teve pretensão de sê-lo; antes, foi um testemunho de Cristo expresso na carne de um ser humano fraco, frágil e mortal, mas consagrado ao Criador. 

Recebemos muita ajuda de sua parte, pessoalmente e como blog. Nosso coração está repleto de gratidão ao Senhor por ter usado o irmão Ezra para nos abençoar, aperfeiçoar e levar-nos para mais perto do Autor e Consumador da nossa fé.

Tivemos a oportunidade de conviver com um irmão que marcou o seu tempo e impactou o coração de todos à sua volta, como um líder servil que sempre apontava para os atributos imutáveis do Rei da glória.

Guardamos com amor as lembranças de seu sorriso sincero, risada solta, abraços seguros, piadas icônicas, histórias engraçadas, imitações únicas, simplicidade tremenda, falar sábio… dentre tantas outras.

Com coração humilhado, ensinou-nos até o fim de seu viver aqui. Bem-aventurado, sal da terra e luz do mundo. Peregrino, aguardou a chegada de Sua verdadeira pátria, contemplou o galardão e andou por fé. Deixou-nos um legado e imitaremos sua fé.

Passamos neste mundo como neblina, mas o que espiritual permanece para sempre! Amemos a vinda de Cristo e não apliquemos o nosso coração neste mundo!

Mesmo tristes, prosseguimos olhando firmemente para Cristo. Temos uma carreira para completar e, como Ezra sempre nos encorajava: o fogo não se apagará!

A Deus que damos glória pela vida do nosso irmão que tanto nos serviu. 

À família, deixamos nossas palavras de gratidão e amor, para que sejam animados a perseverar.

À igreja lembramos: nossa esperança não se limita a esta vida!


A nossa esperança não se limita a esta vida! (A Ezra Ma – In Memoriam)

 




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