Foi difícil, eram muitos detalhes… Mas deu certo, estavam ali homem e mulher. Era muito prazeroso, o encontro de Deus e suas criaturas. Incrível! Conversas calorosas e risadas amigáveis. Como o artesão que encontrava suas obras, sentia alegria em vê-las! O homem e a mulher sentiam cada dia como algo novo, fresco, repleto de cores distintas e aromas agradáveis. Como se tudo fosse vivo e os levassem a satisfação, paz e alegria completa.

Mas por um deslize desejaram VER MAIS. Tudo escureceu, a paz de repente fugiu e apesar de piscarem os olhos incessantemente não era possível ver nada. Os sons eram confusos e falar não era mais possível, mesmo assim eles seguiam os ruídos na tentativa de achar algum caminho de paz e satisfação. No entanto, a cada passo caíam, se machucavam e a angústia parecia tomar seu ser por completo. Cada instante, mais pesados. Foram postas correntes que os feriam. As algemas do pecado em seus pulsos de repente deixaram de se parecer com a visão ampliada que eles desejaram.

Ainda que impedido de ir salvá-los e afastado pelos erros deles, sendo o Artesão, o próprio Deus não desistiu. Permitiu tornar-se homem. Viu-se preso, pesado e machucado tal qual eles. Foi perseguido, difamado e, por certo, sua forma humana avaliou se o homem valia tudo aquilo. Mas Ele não desistiu. Venceu. Rompeu os grilhões, abriu os olhos, brilhou em meio às densas trevas e desesperadamente, em um ato de amor, começou a libertar outros. Cada liberto era ensinado a falar novamente, a andar, a sorrir e, principalmente, ensinava-os a libertar outros cativos no mundo.

Logo Ele partiu. E em um gesto de misericórdia para com o homem, vendo suas dificuldades e desafios, deixou um mapa e uma bússola. Orientou e mostrou para onde deveriam ir. O mapa, a verdade, trata de sua história, de como passou por tudo que um humano pode passar, de como acertou e venceu.

Além disso, nesse mapa há relatos da história de muitos outros que passaram por diversas situações, erraram, foram desobedientes, seguiram alguns atalhos e rotas não programadas e mesmo assim o Senhor os reconduziu ao caminho central (Sl 119:11, 105; Mt 4:4; Ef 6:17). A Bíblia é o mapa!

A bússola é Ele mesmo dentro do homem que O recebe (Jo 16; Ef 1:13). Aliado a tudo isso, como todo bom mestre, deixou um princípio: amar o próximo como a si mesmo.

Amar? O que é amar? Do latim, amare. Designa o sentimento de afeição, desejo ou preocupação. Há estudiosos da linguagem que relacionam a raiz do verbo “amar” com a ideia de semear, plantar. Não foi exatamente o que Ele fez? (Jo 12:24)

Ainda nessa perspectiva, incrivelmente falando, amor possui a mesma família léxica que inimicus, inimigo. Cristo se deu pelos seus inimigos, pelos que o feriam, o injuriavam, Ele se deu pelo homem pecador. Com certeza, Jesus foi o maior dos linguistas, com um câmbio lexical não apenas teórico, em vez disso, real.

Ele conseguiu, amou e é amor. Mas como um homem falho e carnal pode transpor esse substantivo para um verbo de ação? Como tornar esse amor, o maior amor que já existiu no universo humano, a prática de um viver? Essa é a nossa missão.

Caro jovem, às vezes me pego presa em minhas próprias leis e regras. Também, minha insensibilidade é acobertada pela desculpa de ter um objetivo maior, de não ter tempo para cuidar de alguém e que depois que a minha vida estiver mais tranquila farei isso.

Quantas vezes a nossa vida será baseada no depois? Esse mundo egocêntrico realmente não tem nos conformado a ele? Se não cumpro o princípio mais básico que meu Mestre incumbiu a mim, o que me difere de todos os outros homens que não O conhecem? Um viver de ir à igreja e ler a Bíblia sem realidade não me torna um discípulo, nem tão pouco a expressão de quem o Mestre é.

Pouco antes de partir o Senhor Jesus interrogou Pedro a respeito de seu verdadeiro amor por Ele (Jo 21:15-18). Pedro conhecia a sua história de salvação, conhecia a trajetória do Senhor na terra e afirmava com veemência que amava ao Senhor. O que o Senhor lhe disse? “Apascenta as minhas ovelhas”. O amor que o Senhor nos ensina não é um amor egoísta, não é ter O amor para nós e para nossas “vidinhas”, fomos amados para amar.

Talvez ainda pareça distante da sua realidade, como ainda é na minha, mas nunca é tarde para começarmos, não é? Não é preciso muito, que tal resguardarmos nossas complexidades e dar um primeiro passo? Usar o Espírito como nossa bússola, a palavra como nosso mapa e praticar um viver de amor é o caminho que nos levará mais próximos de quem Ele foi.

Peça para orar por alguém, pergunte pelo quê e o que essa pessoa mais necessita. A empatia é o princípio, coloque-se no mesmo nível. Assim como o Senhor, plante, semeie, forneça um abraço amigo cheio de afeição e se preocupe com alguém. Acredite, isso pode mudar nossa sorte (Jó 42:10).

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