O texto de hoje falará sobre o desenvolvimento de momentos de solitude. Ao contrário do que muitos pensam, solitude não é estar sozinho, desamparado; é experimentar a paz de Cristo em nós.

Richard Foster, em seu livro Celebração da Disciplina, diz que “Jesus nos chamou da solidão para a solitude”. No dia em que aceitamos Cristo como nosso Senhor e Salvador, fomos alcançados pela graça e misericórdia,o próprio Senhor veio habitar em nós. Ele preencheu o vazio, iluminou nosso ser, acalmou o mar agitado, tomou controle da situação; não tínhamos onde nos apoiar, um mar de ansiedade, medo, vazio e frustração nos afogava. Assim, o que era solidão transformou-se em uma eterna comunhão com o Pai.

Somos diariamente impulsionados para o barulho do mundo e para as multidões. Com tantas informações, tecnologias e redes sociais nos cercando, nossa atenção é cada vez mais disputada, levando-nos a adiar nossos momentos de contemplação e adoração a Deus. Isso ocorre pelo medo que sentimos de ficar sozinhos. Mas Deus, em Deuteronômio 31:8, assim como em outros versículos da Bíblia, diz que não nos deixaria desamparados. Em Mateus 28:20, Jesus deixa uma promessa aos discípulos: “Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação do século.” Que segurança! Podemos ter momentos a sós com o Pai na certeza de que Ele estará lá nos esperando. Solitude é isso: mesmo vivendo num mundo com tantos ruídos e confusão, encontramos momentos de calmaria e íntima comunhão com Deus.

Momentos de solitude nos dão a oportunidade de sermos mais profundos e plenos com Deus; nossa esperança é renovada, e os pensamentos e sentimentos são alinhados. E Jesus sabia muito bem disso, pois Ele também tinha tempo a sós com o Pai. Sempre que podia retirava-se das multidões para recarregar Suas forças. O cenário que deu início ao Seu ministério foi um deserto, onde Ele passou quarenta dias e quarenta noites sozinho (Mt 4:1-11). Para escolher os doze apóstolos, Ele viu a necessidade de retirar-se para o monte. a fim de orar (Lc 6:12). Ao saber da notícia da morte de João Batista, Jesus “retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte” (Mt 14:13). Após a miraculosa multiplicação de pães e peixes para cinco mil pessoas, Jesus despediu-se das multidões e “subiu ao monte, a fim de orar sozinho” (Mt 14:23). Depois de uma longa noite de trabalho, “tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava” (Mc 1:35). Depois de curar um leproso, Jesus “se retirava para lugares solitários e orava” (Lc 5:16). Em particular, Ele tomou consigo três discípulos e os levou para um monte que seria o palco para Sua transfiguração (Mt 17:1-9). Enquanto se preparava para Sua crucificação, Jesus buscou a solitude do jardim do Getsêmani (Mt 26:36-46).

Jesus é nosso exemplo de como são essenciais esses momentos de solitude. Porém, deve haver equilíbrio entre solitude e comunhão com nossos irmãos. Ambos devem ser cultivados. Ao ter comunhão com Deus somos tocados pelo Espírito a ver e ouvir melhor as pessoas ao nosso redor. Uma comunhão saudável com o Pai terá como resultado o aumento de sensibilidade e compaixão pelos outros.

Um ponto importante da solitude é o silêncio. Você já experimentou apresentar-se ao Senhor sem dizer uma palavra? O silêncio está intimamente relacionado com a confiança. Quando deixamos que Deus assuma o controle da comunhão, estamos confiando que Ele nos suprirá e conduzirá a oração. Lemos em Eclesiastes 5:2a: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus”. A esfera da solitude nos dá a liberdade de ficar em silêncio com Deus, mas é preciso estar sempre atento à Sua voz. Embora o silêncio seja traduzido como a ausência de linguagem, ele sempre envolve o ato de ouvir. Nosso silêncio será inútil se apenas deixarmos de falar e não estivermos com os ouvidos do coração inclinados para o Senhor. O segredo é ter equilíbrio, saber que existe tempo de estar calado e tempo de falar (Ec 3:7).

A solitude deve ser prioridade na agenda de todo cristão. Ela pode ser desenvolvida e aprimorada no seu viver. Você pode experimentá-la com poucos momentos do dia; seja enquanto está na cama acabando de despertar e sua mente está tranquila, ou enquanto toma uma xícara de café. Lembre-se que você nunca estará sozinho, o Senhor estará sempre à espera e será fiel para dar a paz que excede todo entendimento. Saiba também que mesmo rodeado de pessoas você pode estar em solitude; experimente isso quando estiver no ônibus ou no metrô. Não é preciso um lugar físico, pois solitude é uma esfera. Mesmo vivendo no deserto uma pessoa pode nunca ter experimentado solitude.

Você deseja uma exposição mais profunda, mais completa à presença de Deus? Então pratique a solitude! Fale menos e ouça mais, porque Deus está sempre falando! E nunca esqueça que solitude é boa na dose certa. Você está convidado a vir e ouvir a voz de Deus em Seu silêncio todo abrangente, maravilhoso, suave e amoroso.

Faça de você o local de encontro seu com Deus!

Baseado no livro Celebração da Disciplina.

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