No dia 9/6, recebemos nosso querido Daniel Veras para uma live em nosso Instagram com o título “As principais dificuldades dos jovens da igreja para começar um relacionamento”. 

O tema foi pensado devido à proximidade do Dia dos Namorados (12/6). Nessa data, vemos muitas publicações em redes sociais destinadas a casados ou a namorados. Mas e os solteiros? E aqueles que experimentam dificuldades em iniciar um relacionamento amoroso? Eles precisam de conteúdos que os ajudem nessa área. Eles precisam da orientação de pessoas mais maduras e mais capacitadas pela Palavra de Deus para lidar com tais desafios.

Na igreja, lugar de edificação mútua, precisamos de irmãos dedicados a oferecer conselhos e acompanhamento aos jovens nesse contexto. É o que destaca Daniel Veras, que tem se dedicado ao assunto por meio de seu perfil no Instagram: “Da amizade ao casamento”. Por isso, convidamos vocês, leitores, para conversar conosco nesse evento bastante especial!

Infelizmente, houve problemas técnicos e a live não ficou gravada. Entretanto, disponibilizamos a seguir as anotações de alguns destaques da conversa. Você pode conhecer mais do que o Daniel tem compartilhado acessando sua página neste link.

Leia com atenção e guarde em seu coração estas lições se almeja buscar um relacionamento segundo o Senhor. E, se você já é casado ou está em um relacionamento com a finalidade de se casar, aproveite para aprender formas de ajudar jovens a sua volta que estejam em busca de um relacionamento!

Introdução: jovens precisam de conselhos e acompanhamento nas igrejas

Daniel tem ouvido muitos jovens, estudado e promovido ações e interações para ajudar jovens cristãos a desenvolverem relacionamentos saudáveis de acordo com a Palavra de Deus, rumo ao casamento.

Há muitos jovens na igreja confusos quanto a esse assunto. Por isso é importante que haja pessoas na igreja que se dediquem a aconselhar jovens nessa área. Foi essa percepção que motivou a iniciativa “Da amizade ao casamento“.

Além da página no Instagram, Daniel tem realizado acompanhamento de casais e mentoreamentos, incluindo um sobre masculinidade.

Ele sugere que casais entre 5 e 10 anos de casamento são os ideais para realizar esses acompanhamentos, pois são aqueles que já se estabilizaram e têm condições de ajudar outros. Observação: é preciso lembrar que a vinda de filhos é outro momento que gera instabilidade para um casal. 

De quem deve ser a iniciativa?

É uma percepção comum a de que falta atitude a muitos homens jovens atualmente. Nota-se muita insegurança e imaturidade. O que a Bíblia ensina acerca disso? Outra dúvida comum nessa mesma linha de raciocínio é: uma irmã pode tomar a iniciativa de falar com um irmão sobre seu sentimento de iniciar um relacionamento com ele? Houve quem questionasse sobre como uma irmã poderia fazer isso sem transmitir uma imagem ruim.

Essas questões nos mostram que, antes de tudo, é preciso buscar um entendimento claro sobre o que a Palavra de Deus nos ensina sobre os papéis dados ao homem e à mulher. Culturalmente, espera-se que o homem tome a iniciativa. Mas não necessariamente por causa do machismo. Esse elemento da cultura é influenciado pela fé cristã, pois nos ensina que o homem deve liderar. 

Esse foi o papel atribuído a Adão antes mesmo que Eva existisse. Ele recebeu tarefas de Deus. Por exemplo, ele tinha que cuidar do jardim e nomear os animais. Ele também nomeou Eva, outro item que indica sua liderança (Gn 2:15-19). No entanto, perceba que a iniciativa de Adão de se unir a Eva não foi de nenhum dos dois, mas de Deus. Em um relacionamento, a iniciativa sempre deve partir de Deus; de um sentimento que Ele põe no coração da pessoa. Nada deve ser iniciado sem essa convicção, motivado meramente por razões humanas.

Se uma mulher tem a convicção que aquilo é algo de Deus, ela pode, sim, tomar a iniciativa. Veja o exemplo de Rute (Rt 3), que tomou a iniciativa de ir a Boaz. A jovem foi orientada por sua sogra, Noemi, e fez algo ousado. Então, por mais que se espere que o homem tome a atitude, a mulher também pode fazê-lo – não há qualquer impedimento. Ela não precisa ficar apenas esperando. Pode, em vez disso, tomar a iniciativa, contanto que esteja sendo orientada, de preferência, por uma irmã mais experiente. Uma coisa, porém, é fato: tudo deve começar em Deus. Essa é a ordem. 

De igual modo, se um irmão possui dificuldades quanto a ter atitude, deve buscá-la no relacionamento com Deus. Assim ele se tornará quem foi criado para ser.

Como se aproximar e iniciar uma conversa? Como demonstrar interesse? Algumas dicas práticas

Daniel ressalta que não é possível dar dicas muito específicas para se aproximar, porque cada situação acontece de uma forma. Ele costuma abordar alguns princípios. Apesar disso, trouxe algumas sugestões. 

No caso da vida da igreja (os irmãos com quem nós da equipe EVE congregamos), a maioria das igrejas em cada cidade são pequenas, então boa parte dos jovens busca relacionamento com um irmão ou irmã de uma igreja em outra cidade. Desse modo, é necessário valorizar os encontros presenciais (quando isso é permitido). Olhar, procurar a pessoa e deixá-la perceber que há um contato visual, mas não por muito tempo, para não assustá-la ou criar desconforto.

Outra boa dica também é praticar gentilezas. Por exemplo, quando estiver entre um grupo de amigos e for pegar água, volte com dois copos, oferecendo o primeiro à pessoa em questão. Depois, caso deseje disfarçar, indague se mais alguém quer água. Fazer pequenas gentilezas para uma pessoa é algo que ajuda a demonstrar interesse. Você também pode compartilhar trechos de leituras que esteja fazendo, pois leva a pessoa a pensar: “ele (ou ela) se lembrou de mim!”.

Em uma situação em que só é possível interagir à distância, é bom aproveitar as várias oportunidades existentes para encontros on-line. Eventos de igrejas on-line têm possibilitado que jovens conheçam pessoas de outras cidades. Então, não desperdice as oportunidades que têm sido dadas.

Com quais pessoas um jovem da igreja deve conversar para iniciar um relacionamento? 

Ao iniciar um relacionamento, além de falar com a pessoa por quem se tem o sentimento, o jovem ou a jovem precisam conversar com algumas pessoas importantes: pais e irmãos responsáveis (líderes das igrejas nas localidades). 

Recebemos uma pergunta sobre a ordem em que essas conversas devem ocorrer, e Daniel esclareceu que não existe uma regra. As instruções podem variar conforme a igreja em que os jovens congregam, mas o palestrante destacou a necessidade de que haja esse contato. Essa “burocracia”, na verdade, visa proteger os envolvidos no processo.

Antes de responder à pergunta, é importante explicar a forma como Daniel explica as fases do relacionamento: comunhão, namoro, noivado e casamento. A comunhão é o momento mais oculto, em que o casal está orando e em que pouquíssimas pessoas têm conhecimento, de modo que nada os atrapalhe. A etapa do namoro começa quando ambos estão convictos do relacionamento, que eventualmente se encaminha para o noivado e, enfim, o casamento. Nisso, cabe observar que o período da comunhão e o do noivado costumam ser os mais difíceis para notar os defeitos da outra pessoa. O primeiro, por causa da paixão; o segundo, pela expectativa do casamento. Assim, o período do namoro é o mais adequado para isso.

Retomando o assunto, é muito importante que os pais estejam entre as primeiras pessoas a saber, pois são aqueles que formaram o irmão e a irmã que querem se relacionar; são os responsáveis por manterem-nos onde estão. Assim, mesmo quando os pais de um jovem não congregam, ainda é importante conversar com eles. 

Pode acontecer também de um jovem não ter um bom relacionamento com seus pais e por isso não se sentir à vontade para lhes falar a respeito. Pode ser que existam “tretas” e desentendimentos, mas essa pode ser uma oportunidade para resolver qualquer confusão e até mesmo trabalhar o perdão por ambas as partes.

No caso de não ser possível receber uma orientação dos pais (se o jovem ou a jovem for órfão, por exemplo), é recomendável buscá-la em um irmão mais maduro na igreja, um “pai espiritual”. Não precisa necessariamente ser alguém da liderança. Quanto aos líderes, nas demais circunstâncias, devem ser notificados na oficialização do relacionamento – o início do namoro. A partir desse momento, as outras pessoas da igreja saberão que aqueles jovens estão namorando. Mais uma vez, essas instruções são para proteção.

Há alguma dica para vencer a insegurança, principalmente para quem é tímido? 

Nesse ponto, além da oração, Daniel destacou a importância de contar com a ajuda de amigos. Mesmo um homem, de quem esperamos mais atitude, se for tímido, terá dificuldade. Por isso, será bom que ele conte com a ajuda de amigos. 

Então, se você está lendo isso, lembre-se: ajude seus amigos!

Poder aquisitivo tem influência na escolha da pessoa? 

Daniel acredita que o poder aquisitivo de uma pessoa não deveria influenciar sua escolha, mas isso ainda ocorre. A perspectiva de rendas muito diferentes entre o irmão e a irmã pode gerar incômodo em algumas pessoas. No final, contudo, é apenas uma questão do coração. Se uma irmã tem uma renda melhor que a de um irmão, mas, ainda assim, ela é humilde, não haverá dificuldades. Ela pode ajudar o irmão a se desenvolver na parte financeira. Por outro lado, se, nessa situação, o irmão é orgulhoso e não aceita a condição, problemas podem surgir.

Também é importante observar a questão do apego às riquezas, a avareza. Mesmo alguém pobre pode ser avarento, o que é pecado. Da mesma maneira, duas pessoas ricas também podem encontrar dificuldades no relacionamento por conta disso. A questão é o coração, e o namoro é o momento adequado para perceber esses possíveis traços. A maneira como a pessoa lida com o dinheiro revela muito sobre seu caráter, então é importante estar atento a esses detalhes. Defeitos de personalidade são uma coisa. Desvio de caráter é outra.

Se eu pedir oração aos irmãos, vou parecer que estou em desespero? Seria bom eles orarem por mim? 

Não. Ao contrário, deveria ser normal falar sobre relacionamento, sobre a vontade de se casar. Nós complicamos isso. Uma coisa boa que tem acontecido com as “Lives do Love”, na página do Daniel, é que as pessoas estão conversando mais sobre o assunto. Amizades têm surgido.

Há, inclusive, um grupo de irmãs que assistem às “Lives do Love” e oram umas pelas outras quanto ao assunto casamento. É preciso falar, com as pessoas certas. Não devemos nos expor excessivamente a fim de evitar certas reações inadequadas que infelizmente são comuns, como as “zoações” entre pessoas, embora tais conversas devessem ser normalizadas.

E quando há um sentimento por uma amizade de algum tempo, mas não se sabe se o sentimento é recíproco? 

É preciso falar abertamente para a pessoa, pois ela não é obrigada a perceber. É preciso ser bem resolvido consigo mesmo e agir. Esclarecer o quanto antes evita o sofrimento da expectativa e das incertezas.

Como ter um relacionamento a distância se até perto é difícil de saber se a pessoa é verdadeira? Como saber que ela não finge ser o que não é? 

Aí se vê mais uma vez a importância de pessoas para aconselharem sobre o assunto nas igrejas. É importante que haja esse acompanhamento de irmãos responsáveis, e irmãos que sejam pais e mães espirituais, que conhecem e podem falar sobre aquela pessoa. Puxar a ficha. Você não precisa decidir sozinho. Nem deve. 

Considerações finais

Na verdade, não era para ser tão difícil falar sobre relacionamento. É difícil por causa da gente. Nós complicamos demais coisas que deveriam ser simples. 

Daniel lembrou que há muitos jovens com baixa autoestima. Irmãos e irmãs com baixa autoestima quanto a alma e quanto ao corpo. Seu desejo é que os jovens percebam o quanto são preciosos para Deus e sejam capacitados a vencer essas questões!


Agradecemos muito ao Daniel Veras por ter aceitado o convite para essa conversa conosco! Acesse e siga a página “Da amizade ao casamento”, no Instagram, para receber suas publicações!

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