Após  ver as notas do primeiro bimestre da filha, a mãe constatou que estavam abaixo da média. Vendo que a menina não reagia para estudar mais e melhorar seu rendimento, ameaçou corrigi-la caso o boletim permanecesse com notas vermelhas.

Embora a mãe avisasse, mandasse estudar todos os dias e a lembrasse do castigo prometido, o tempo passou e a menina não mudou. Assim, quando vieram os resultados das provas do segundo bimestre, a jovem recebeu a notícia de que havia ficado de recuperação em uma matéria.

Com muito medo, ela escondeu sua nota e afirmou para a mãe que o resultado das provas no novo bimestre não havia sido divulgado. Infelizmente, isso não era verdade. Inclusive, por ter ido mal, a menina sabia que teria de responder, em casa, um trabalho que serviria como recuperação e que deveria ser entregue até uma data pré-determinada.

Sem cobrança quanto à prova de recuperação, a filha deixou tudo para cima da hora. Assim, na véspera da entrega, a mãe chegou na sala de repente, surpreendendo-a, pois tentava desesperadamente terminar a atividade. Ao interrogá-la sobre o que estava fazendo, a mãe foi surpreendida com a resposta. Ao ficar sabendo de toda a história, perguntou-lhe o porquê de ter mentido. Chorando, a menina  respondeu que estava com medo e que, por isso, escondeu tudo e mentiu.

A mãe fez o que prometera e a corrigiu. Depois disso, deu-lhe ordem de ir fazer a atividade, pois o prazo de entrega se cumpriria em menos de dezoito horas.  A menina teria que pesquisar e responder a cinco questões dentro desse tempo.

Horas depois, notando o  sofrimento e limitação da garota, a mãe sentou-se com ela, fazendo o que teria feito uma semana antes, caso soubesse de tudo: estudou junto com ela, a fim de que a fizesse compreender a matéria. A mãe explicou e auxiliou a garota em sua dificuldade e ansiedade.

Ainda que a causa de todo o problema fosse a desobediência de sua orientação sobre os estudos, a mãe se fez presente na fraqueza da filha. Por que a mãe agiu dessa maneira? Porque as regras que foram quebradas pela menina não foram feitas para o benefício de seus pais, mas sim dela própria.

Ao terminar o trabalho de recuperação, a garota pediu desculpas para sua mãe e confessou estar aliviada por não precisar mais carregar a mentira que inventou. “Estava com tanto peso na consciência!” – declarou.

Jovem, há algumas lições que podemos extrair dessa história.

Primeiro, as regras são necessárias e são provas de cuidado e amor. Como autoridades que representam a Deus, os pais são guardiões do propósito de estabelecê-las e assim ajudar seus filhos a se tornarem pessoas maduras e adequadas à vida adulta. Obedecer essas regras faz parte do processo de crescimento, sendo uma atitude a qual Deus considera justa e que  confere honra aos pais (Ef 6:1-2). Para quem age assim, a promessa é de que os seus dias serão prolongados e também tudo irá bem (v. 3). Você quer experimentar vida longa e sucesso? Sim? Então atente-se às direções que seus pais lhe dão.

Segundo, esconder-se, depois de violar uma regra, não resolve nada e pode só piorar a situação. Quando isso acontece, sem perceber, tomamos sobre nós um jugo insuportável, que seria bem mais leve com a ajuda de quem é mais capacitado do que nós e zela por nosso bem. Porque escondeu seu erro, a menina ficou sem o auxílio da mãe e não foi sequer capaz de lembrar de sua obrigação. Logo, acabou sofrendo muito mais que deveria: teve um desgaste maior estudando tudo em cima da hora e foi corrigida pela mãe.

Isso é semelhante a Gênesis 3, quando, após terem desobedecido ao Deus criador, Adão e sua mulher perceberam sua nudez e fizeram roupas improvisadas de folhas de figueira para se cobrir. Deus chamou por eles e, em vez de responderem, como sempre faziam, esconderam-se (v. 8).  Veja, tentar resolver as coisas sozinho e se esconder não terminou em solução para os problemas de Adão; pois as folhas de figueira secam e caem. Logo, tentar resolver o problema sozinho não é a solução e nem escondê-lo.

A saída é se voltar para Deus. Quando Ele viu que Adão e Eva pecaram, agiu exatamente como a mãe da nossa história: Ele corrigiu Adão e Eva (v. 16-19), mas ao mesmo tempo providenciou uma solução duradoura. No lugar de folhas de figueira, Deus fez vestimentas de peles de animal (v. 21), cuja duração é infinitamente superior.

Terceiro, Deus é pai amoroso. Assim como nossos pais, Deus somente investe seu tempo na disciplina e solução para os nossos problemas porque nos ama (Pv 3:11,12). No lugar de mentir e nos privar de sermos expostos e corrigidos, aprendamos a confiar no amor de quem nos apresenta as regras e zela para que sejam cumpridas. É por causa desse amor que Ele dá a solução duradoura que já mencionamos. Se fosse diferente, Ele permitiria que você voltasse a passar vergonha quando as folhas de figueira secassem.

Quarto, há algo sobre os pais que os filhos só descobrem com a maturidade: as regras visam evitar que os filhos passem por maus bocados, os quais a vida já ensinou aos pais. O que os pais dizem muitas vezes aparentemente tem muita dureza, restrição e até injustiça, porque faz os filhos se sentirem sozinhos e oprimidos pelas regras que se aplicam somente a eles.

Jovem, embora o processo de seguir essas orientações seja difícil, saiba: seus pais já viveram o suficiente para ter uma visão além da sua. Eles conhecem os perigos do mundo que estão em cada um dos trechos do caminho. Inclusive, o apóstolo João disse que escrevia aos pais porque eles conheciam Deus desde o princípio (1 Jo 2:13a), ou seja, os pais tinham uma experiência mais profunda na vida espiritual. E isso também se aplica à vida humana: os pais são mais experientes.  Por isso, vale a pena pagar o preço de agir contra a própria vontade e se submeter ao que os mais velhos dizem. Afinal, é melhor obedecer do que sacrificar (1 Sm 15:22).

Jovem, desejo que você abra seu coração e deixe entrar tudo o que foi escrito aqui. Confie em seus pais, assim como Deus primeiramente neles confiou ao entregar sua vida aos cuidados deles. Os pais são profetas de Deus, logo, crer em suas palavras e obedecê-las traz prosperidade e segurança (2 Cr 20:20). Por isso, aplique em sua vida o que leu aqui: obedeça para ter prosperidade; exponha-se para ter a solução definitiva; lembre-se que o tempo investido representa amor; e respeite a experiência de quem já viveu mais que você!

Colaboração  enviada  por Nívea Carvalho.

Deixe seu comentário