Talvez você esteja em um momento de sua vida em que, mesmo sem querer, um pensamento ocorre:

“Ah, Deus pode até ser bom, só que para os outros. Eu tenho planos, desejos e sonhos, mas as coisas não estão acontecendo do jeito que eu quero e preciso! E se Deus não me tirou dessa situação até agora, Ele já deve ter desistido. Estou abandonado, Deus não cuida de mim.”

No entanto, é nesse momento que você precisa entender que o fato de Deus ser bom e querer fazer-nos o bem (Sl 145:9; Rm 8:28), não quer dizer que a nossa vida será conduzida à nossa própria maneira. Pelo contrário, Ele nos conduzirá muitas vezes por longos anos no deserto para, no final, fazer-nos bem.

Isso foi o que Deus, amorosamente, arranjou para o povo de Israel, colocando-os em uma situação na qual eles não tinham nada além do Senhor: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos (…) te conduziu por aquele grande e terrível deserto de serpentes abrasadoras, de escorpiões e de secura” (Dt 8:2, 15a). Essa situação pode parecer muito difícil, nos fazendo pensar que não vamos conseguir e que estamos sozinhos. Pode parecer confuso que um Deus que é bom deixe o Seu povo quarenta anos no grande e terrível deserto.

No entanto, precisamos ver toda a obra de Deus. Primeiramente, Ele sustentou e guardou o povo durante todo esse caminho e, quando não havia sequer água para eles beberem, Deus fez sair água de uma rocha. Ele os humilhou e deixou ter fome, mas também sustentou com o maná que nem eles, nem nenhum antepassado conheciam (Dt 8:3). Nunca, em quarenta anos, as vestes se envelheceram ou os pés se incharam.

E Deus não submeteu o povo a quarenta anos nesse deserto por nada, mas sim para humilhar, provar, para saber o que estava no coração deles, e se guardariam ou não os mandamentos do Senhor. E Ele diz: “Sabe, pois, no teu coração, que, como um homem disciplina a seu filho, assim te disciplina o SENHOR, teu Deus” (Dt 8:5). Além do mais, o deserto era apenas um caminho para a terra da promessa, da qual era do desejo de Deus que eles comessem, se fartassem e O louvassem pela boa terra que lhes fora dada.

Por fim, o maior desejo de Deus era lhes fazer o bem, porque Ele continuava sendo bom (“para te humilhar, e para te provar, e, afinal, te fazer bem” – Dt 8:16).

Assim, pare de pensar que Deus te abandonou. Ele cuida de você. Mesmo em silêncio, Ele está te sustentando e não vai permitir nada que lhe cause mal ou que te seja insuportável. Por muitas vezes, o povo no deserto murmurou. Não faça isso! Não amaldiçoe o seu Deus. Espere pelo socorro, porque Ele virá. Não desista de orar, levar as suas aflições, ansiedades e até mesmo lágrimas ao Senhor.

Creia no seu coração que, independentemente de quão grande e terrível seja o deserto pelo qual você está passando, Deus não te abandonou, Ele continua sendo bom. E, assim como Ele sustentou o povo de uma maneira que nenhum deles, nem sequer os antepassados conheciam, Ele também vai te sustentar. Não olhe para as serpentes ou para a imensidão do seu deserto, olhe para o Deus que sustenta todas as coisas pela palavra Dele (Hb 1:3). Deixe Deus te surpreender e te fazer o bem!

“[Rendei graças] Àquele que conduziu o seu povo pelo deserto, porque a sua misericórdia dura para sempre” (Salmos 136:16).

Deixe seu comentário