“…porque eu não vim para JULGAR o mundo, e sim para salvá-lo.” (Jo 12:47b)

Vi tudo aquilo bagunçado.

Eu deveria arrumar, mas apenas joguei a bagunça da cama para o chão. Pensei comigo mesma: “outra hora arrumo”, mas há tempos essa “outra hora” não chegava. Fingi que a desorganização era uma opção minha, mas na verdade não sabia muito bem como eu tinha chegado àquele estado. E as lágrimas caíram, pois sabia que ia ser exaustivo arrumar tudo aquilo. Pensei em desistir.

Ouvi baterem à porta. Reconheci-O, porque apenas Ele bate à porta (os outros apenas entram, pioram a bagunça e vão embora). Sei que Ele não ia entrar enquanto eu não desse permissão, entretanto, não podia permitir que Ele visse aquele caos. Lembrei do olhar Dele e isso me fez dizer “entra, mas não repara na bagunça”.

“O meu amor passou a mão pela abertura da porta, e o meu coração estremeceu.” (Ct5:4)

Me preparei para dar explicações e pedir desculpas por desarrumar o que Ele mesmo arrumara da última vez. Esperei receber a punição que merecia. Talvez Ele gritasse, me julgasse, fosse embora ou só falasse comigo após eu arrumar a bagunça. 

No entanto, Ele entrou, sentou-se, e por um tempo ficamos em silêncio. Ele olhou no fundo dos meus olhos mas eu só pensava naquela bagunça. Ele me disse “eu te amo”, e eu respondi “mas Senhor…”. Ele me interrompeu repetindo “eu te amo” e continuava dizendo isso até que meus argumentos e explicações acabaram. Enquanto ouvi Ele dizer que me amava, as lágrimas caíam, o coração se comoveu e nenhuma bagunça mais importava. Quando me dei conta, apesar de nem tudo estar no lugar que eu desejava, estava tudo sob controle. Há paz, Ele me ama. Eu sou do meu Amado e o meu Amado é meu.

“E eu tão pequeno e frágil querendo Sua atenção no silêncio encontro resposta certa então”.

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