No início do ano de 2020, fizemos um encontro de jovens cristãos em Ribeirão Preto (onde resido e me reúno com a igreja). Tivemos um excelente momento de adoração coletiva e louvores a Deus; além de deliciosos comes e bebes e bastante interação entre todos ali presentes. Iniciamos o ano unidos, alegres, desfrutando do nosso Senhor e da companhia uns dos outros.

Que encontro maravilhoso! Tínhamos acabado de voltar de uma Conferência de Jovens que ocorreu na Estância Árvore da Vida, em Sumaré – SP. Todos nós estávamos felizes e  esperançosos quanto a Vontade, o Mover do Senhor e o nosso papel no ano que acabara de iniciar. Tamanha era nossa expectativa para o ano, que decidimos fazer uma dinâmica em que cada um falou uma palavra para representar o que esperava para 2020.

Estávamos ainda no primeiro mês do ano e eu já havia tido tantas experiências com o Senhor, estava tão motivada a conhecer cada vez mais de Cristo, que isso me levou a escolher não apenas uma, mas duas palavras: experiência e Verdade. Eu desejava e sabia que precisava conhecer, sentir e ser mais preenchida com Aquele que é a Verdade. Almejava a plenitude Daquele que a tudo enche e sabia que Deus me daria experiências marcantes no decorrer do ano. Não poderia ser diferente, mas mesmo sabendo disso,  a cada circunstância em que aquelas palavras traduziam o que Deus falava ao meu coração, eu ainda era surpreendida.

Minha vida de busca e devoção se fortalecia a cada momento e, assim, eu era pouco a pouco mais liberta da pessoa que eu era, daquilo que me prendia e bloqueava o crescimento que estava por vir. Em cada versículo meditado, em cada ministração ouvida,  em cada leitura de um livro espiritual, eu percebia um novo e incrível atributo do Deus Triúno e meu coração se enchia e regozijava de esperança. Quanta experiência com a Verdade! Eu sentia o Senhor em mim e estava amando conhecê-Lo mais.

Não passou muito tempo e o mundo foi tomado por uma pandemia. Um vírus causou inúmeras e dolorosas perdas, levou cidades, estados ou mesmo países ao colapso e fez a sociedade viver uma situação inédita de isolamento dos indivíduos.

Então, aqueles jovens que no início do ano estavam tão alegres e esperançosos, de repente foram afastados. Com a perda do contato presencial e encorajamento mútuo, o esfriamento espiritual era imaginável.A igreja, como um Corpo, sofria e individualmente todos os membros percebiam que precisavam fortalecer sua comunhão íntima com Deus e encontrar formas de se reconectar com os irmãos.

Com diversas dificuldades, eu tentava criar hábitos de leitura, oração e servia em tudo que estava ao meu alcance, até que o maior e mais temido golpe me alcançou: a COVID-19 levou minha bisavó. A forma como vamos lidar com a morte é imprevisível e o Senhor me mostrou muitas coisas durante essa experiência, mas vou focar no que veio depois (escrevi sobre a experiência de perder minha bisavó durante o isolamento no texto “Cura Emocional”).

Estava me reerguendo e confiando na soberania de Deus quando escrevi sobre tudo que aprendi, então, no dia seguinte, alguns sintomas começaram a surgir. Sim, estava com COVID-19. De todos os sintomas e desconfortos que a doença me trouxe, o pior e mais sutil não era físico. Desmotivação, cansaço mental e um desejo de me isolar e não conversar ou ver ninguém. Os momentos de leitura e oração pela manhã se tornaram horas deitada na cama, sem vontade de orar ou mesmo de pegar o celular.

As orações e mensagens de pessoas incríveis na minha vida, e a certeza de que o Senhor é sábio e soberano em tudo o que faz, foi o que me sustentou mesmo durante as dúvidas e o sentimento de que a tristeza não teria fim.

Depois de mais de duas semanas a desmotivação estava indo embora e eu precisava voltar à rotina. Voltar a me cuidar física e espiritualmente. Colocar em ordem as matérias e trabalhos da faculdade que havia perdido, entre outras atividades acumuladas. O Senhor me mostrou na prática que deveria ser menos como Marta e desfrutar do descanso aos pés Dele (Lc 10:38-42). Porém, as pendências não me permitiriam descanso tão cedo. E a culpa por não ter tempo, me tomou mais uma vez.

Mas será que todas essas experiências ainda não seriam suficientes para eu me firmar na fé? Quando darei prioridade ao Senhor e passarei mais tempo lendo a bíblia e livros espirituais? Quantas pregações e revelações perdi? — Questionei-me.

Eu, com certeza, não tinha as respostas. Mas nesta manhã, quando deixei de lado os afazeres e fui ouvir uma parte do vídeo que recebi de uma irmã, o Senhor me respondeu em dois versículos tudo o que precisava.

“Feliz é quem confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor. É como árvore plantada junto ao rio, com raízes que se estendem até as correntes de água. Não se incomoda com o calor, e suas folhas continuam verdes. Não teme os longos meses de seca, e nunca deixa de produzir frutos”
(Jr 17:7-8 – NVT)


A obra está sendo feita dentro de mim, não importa como, nem quanto tempo vai durar. O que é necessário da minha parte é apenas confiar. Ainda que seja difícil para mim perder o controle da situação e entregá-la de bom grado decidi, por fé, confiar!

O processo de se tornar uma árvore forte e frutífera demanda entrega e dependência. Dependência da terra, da luz do sol e da chuva. Tudo está sob o poder e grandiosidade de Deus. Até qual o fruto gerado não depende da vontade da árvore, mas daquilo para o qual o Senhor a criou para ser.

Meu desejo para este ano foi e continua sendo “experiências com a Verdade”, para que eu a conheça cada dia mais, e essa Verdade me liberte! (Jo 8:32). 

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