Como lidar com o dinheiro com prudência e sem se apegar

Olá! Gostaria de compartilhar sobre algumas coisas que a Bíblia diz, além de algumas experiências sobre administração financeira e vida cristã. Afinal de contas, ninguém nasce sabendo lidar com dinheiro.

Louvado seja o Senhor por sua palavra, útil para o ensino, na qual está escrito que, se alguém almeja o episcopado, uma obra excelente, é necessário que este alguém seja irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar. Além disso, também não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas amável, pacífico e não apegado ao dinheiro (1Tm 3:2-3).

Estes princípios não devem ser apenas para alguém que almeja ser um “bispo”, mas devem ser o padrão para todos os filhos de Deus.

Tomei a liberdade de destacar alguns destes princípios e é sobre eles, aplicados à administração financeira, que vamos falar aqui.

Por que prudência? A regra do semear e colher

Segundo uma reportagem publicada no portal G1 de notícias, em 2016, cerca de 58% da população brasileira estava enfrentando o endividamento.

E o princípio da prudência é justamente o primeiro e mais importante na hora de lidar com seu dinheiro.

É maravilhosa aquela sensação de comprar algo novo e pensar na utilidade que isso trará para sua vida. É excelente!

Mas se você não tomar cuidado, pode acabar gastando mais do que possui e isto pode fazer com que você entre na lista desses 58%. Além disso, gastar inadequadamente pode te fazer perder excelentes oportunidades.

Recentemente tive a chance de participar de um negócio que exigia um investimento robusto e eu, sozinho, não tinha condição de fazê-lo porque não possuía o valor necessário. O lucro naquele negócio era certo e a sensação de ver uma excelente oportunidade de ganhar dinheiro indo embora foi extremamente chata.

No entanto, eu recorri a alguém que possuía dinheiro o suficiente e entramos juntos no negócio. Como previsto, deu tudo certo e ambos ficamos muito felizes com aquela realização. Por que estou te contando isto?

Porque há algumas lições nesta história que me marcaram bastante e me fizeram ter uma visão diferente.

Lição 1: Por que guardar dinheiro?

Na história que contei a primeira lição é ter dinheiro guardado para aproveitar as oportunidades. Porém, só é possível guardar se você gastar menos do que ganha.

Mas por que guardar dinheiro? Por que você pode precisar dele. Assim como eu não tinha o dinheiro necessário para aproveitar a oportunidade que caiu nas minhas mãos, você também pode perder excelentes oportunidades.

Então você pode pensar: “isso nunca aconteceu comigo”. Bem, talvez aconteça sim, e aconteça com mais frequência do que percebe.

Por exemplo, você pode perder a oportunidade de ofertar a ida de algum irmão para uma conferência, de ofertar para suprir de alguém que vive exclusivamente para a obra de Deus, de ofertar uma bíblia para um irmão recém-convertido, entre tantas outras.

Situações como essas são oportunidades para investir no que dá resultado: a obra de Deus. O lucro deste tipo de investimento é a graça do Senhor, é o privilégio de exercer o ministério de ofertas.

NOTA: Não quero dizer que apenas quem oferta muito exerce este ministério e sim, que quem oferta, independentemente da quantidade, deve ter o coração de ofertar como se ofertasse ao Senhor (cf Gn 4:3-5).

Pense, por exemplo, no avanço do Senhor na África? Muitas vezes temos o desejo de ir e pregar o evangelho nestes lugares mas, para muitos, isso não é possível devido ao tempo, às responsabilidades e outros motivos.

Porém, querido leitor, muitas vezes há necessidades básicas para que o evangelho alcance tais lugares e é aí que entra a sua oportunidade. Sua oferta pode ser a porção que ajudará a suprir

Então é importante que você tenha prudência para administrar o que Deus lhe dá para que isto seja útil ao Corpo de Cristo e à obra de Deus na Terra.

Um exemplo bastante claro disso foi José. Quando o povo do Egito estava na época de fartura, o Senhor o usou para a conservação da vida. Na prática o que José fez foi usar o momento de fartura para acumular e, no momento de necessidade, suprir o povo.

Lição 2: Saber investir na Terra e no céu.

Tanto no aspecto humano quanto no espiritual precisamos ser investidores. No entanto, nenhuma fortuna começa no auge e é para isso que existe a lição 1, para saber que é necessário administrar suas finanças e honrar ao Senhor com suas ofertas.

Agora, se você não tem uma vida financeira organizada, o resultado é que na primeira situação de dificuldade você busque reduzir os gastos. E uma das primeiras fontes a serem cortadas são as ofertas.

Por isso você precisa saber sobre como cuidar do seu dinheiro diligentemente, mas, além de saber administrar, é preciso aprender como investir.

Então, eu te pergunto, qual é o objetivo de um investidor? A resposta pode parecer óbvia, mas não é. O objetivo de um investidor não é ganhar, mas sim de multiplicar.

Ganhar dinheiro acontece quando você vende algo e tem algum tipo de lucro ou quando usa seu tempo prestando algum serviço. Multiplicar é quando você utiliza o seu dinheiro para fazer com que ele lhe dê mais dinheiro.

Voltando ao meu exemplo: Eu estava em uma oportunidade de “ganhar dinheiro”, pois, o meu papel era comprar os itens e vendê-los.

A pessoa a quem eu recorri queria multiplicar o dinheiro, pois ela me entregou os valores e queria recebê-los com lucro sobre o valor original.

A obra do Senhor é como eu naquela história. Existe uma excelente oportunidade para o avanço do evangelho, porém, por vezes, falta o recurso financeiro que pode fazer essa obra avançar.

É aí que mora a oportunidade de você se tornar um investidor onde o resultado é certo: na obra de Deus. Por isso, é tão importante saber cuidar do que Deus nos dá, porque Ele pode estar nos dando para a conservação da vida na Terra (Gn 45:5).

Bom, agora que você viu sobre a importância de saber poupar e saber investir, gostaria de falar sobre um problema, muito prejudicial, que pode surgir em quem começa a zelar por suas finanças.

Não ser amante do dinheiro

A segunda coisa que gostaria de destacar na passagem bíblica é sobre não ser amante do dinheiro. Quando falamos nisso, imediatamente pensamos naquelas pessoas obcecadas que só falam e respiram dinheiro.

Mas não somente essas pessoas, que não honram ao Senhor com seu dinheiro, são amantes das riquezas dessa terra.

“Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” – Mt 6:21

Sabe por que o Senhor fala isto? Porque devolver dízimos e ofertas está diretamente relacionado à gratidão. Ao dizimar e ofertar, você demonstra ao Senhor que é grato pelo suprimento que ele te deu e pela capacidade que você tem e que reconhece que vem Dele.

Em outras palavras, é como se você demonstrasse ao Senhor que é grato por tudo o que Ele é e faz, ou seja, demonstra que tem um coração cheio de gratidão.

Por outro lado, quando você não tem este coração, algo muito sério está acontecendo, você está roubando o Senhor.

Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas” – Ml 3:8.

É por isso que precisamos ser um com o Senhor e nos entregar completamente a ele, não somente nosso coração, nosso ser, mas também sermos um com o Senhor por meio do nosso dinheiro.

Eu sei que este não é um assunto simples de lidar. Não foi fácil para mim e acredito que não seja simples para você, mas experimente o Senhor na situação e veja como ele é maravilhoso, fiel e justo.

Algumas Dicas Práticas Sobre Administrar Dinheiro

Meu objetivo neste texto é mostrar para você, leitor, que devemos honrar ao Senhor em tudo, inclusive no que ganhamos.

Cuidar bem do seu dinheiro faz parte de manter um bom testemunho e ajuda a não se meter em problemas, por isso, algumas dicas práticas:

Gastar Menos Do Que Ganha

Parece óbvio, mas, na prática, muitas pessoas se perdem por não saberem quanto gastam, nem onde gastam. Por isso, eu gosto de fazer uma planilha de controle financeiro, que me ajuda a saber se ainda posso ou não comprar alguma coisa.

Separar O Que É Indispensável Do Que É Dispensável

Este é outro fator muito importante. Muitas vezes somos pegos por uma oferta irresistível, seja aquele celular com 50% de desconto ou aquela promoção imperdível.

Temos que saber até onde podemos usar nosso dinheiro para não gastar mais do que ganhamos e ficarmos enrolados e cheios de problemas. É preciso saber escolher entre o que é importante e o que não é tão importante assim.

Organizar O Dinheiro Assim Que Colocar As Mãos Nele

Essa dica é algo que eu adotei para mim, toda vez que pego o dinheiro, já o separo em cinco partes e coloco uma em cada envelope:

  1. Dízimo
  2. Ofertas
  3. Poupança ou aplicações financeiras
  4. Coisas importantes
  5. Diversão

Então, depois de colocar o valor do dízimo no envelope 1, o valor para ofertas no envelope 2 e assim por diante, pego o envelope cinco e coloco na carteira ou no banco (em uma conta diferente da poupança) para poder usá-lo. Se sobrar eu guardo ou uso no mês seguinte.

Procure Oportunidades De Investir:

Depois de um certo tempo guardando dinheiro (na poupança ou em aplicações financeiras) você vai começar a acumulá-lo. Procure formas de fazê-lo render mais, seja em aplicações ou oportunidades, mas, lembre-se, a prudência é essencial.

Recapitulando…

Por mais gostosa que seja aquela sensação de comprar algo novo, é necessário ter prudência na hora de lidar com as finanças, afinal de contas, você pode se enrolar facilmente e trazer sérios problemas para sua vida.

Por isso, é importante saber administrar, guardar e investir seu dinheiro, para ter uma vida financeira tranquila e equilibrada, além de estar preparado para qualquer tipo de investimento, inclusive na obra do Senhor.

Um forte abraço e até o próximo texto. 🙂