“Lembravam-se de que Deus era a sua rocha e o Deus Altíssimo, o seu redentor” (Salmos 78:35).

Frequentemente nossas atitudes e caminhos podem não ser condizentes com coisas que aprendemos no passado por termos esquecido destas. Esquecimentos podem trazer sofrimento. Isso acontece com pessoas que sofrem de algum tipo de perda de memória, como Alzheimer, ou até mesmo déficit de atenção ou coisas mais simples. Na vida espiritual é importante relembrar.

Uma verdade, uma revelação pode ter mais impacto em nós quando é uma nova descoberta, perdendo o brilho com o passar do tempo. Isso porque o tempo traz novas situações para encher nossas mentes. Por isso, como novas informações continuarão vindo, é nossa responsabilidade relembrar experiências e verdades marcantes de nossas vidas para que não sejamos traídos pela fragilidade da memória.

Esse é um dever que a consciência deve nos impor, ainda mais quando nos referimos à Verdade, aquela que não muda com o tempo. Se queremos ser pessoas íntegras, precisamos manter nossa palavra, nossos compromissos, nossa gratidão diante das coisas pelas quais passamos.

Relembrar para ter gratidão e compromisso com Deus

Foi o próprio Deus que ordenou que Suas palavras e seus feitos deveriam ser relembrados por seu povo, de geração em geração (Sl 78:4-6), para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos; e que não fossem, como seus pais, geração obstinada e rebelde, geração de coração inconstante, e cujo espírito não foi fiel a Deus”  (vs. 7-8).

Relembrar traz gratidão e, por sermos gratos, temos maior compromisso e um melhor relacionamento com Deus. Se nos lembrarmos de suas palavras e de Suas obras, confiaremos nele, não seremos obstinados e rebeldes, nem teremos coração inconstante, mas seremos fiéis a Ele.

O Senhor Jesus estabeleceu o partir do pão, a santa ceia, dizendo: “fazei isto em memória de mim” (1 Co 11:25). Assim nos lembramos de seus sofrimentos, de sua vida dada por nós, também de sua ressurreição para que fôssemos unidos a Ele. Ele conhece nossa memória fraca, nosso coração inconstante. Por isso, avisa-nos que precisamos lembrar e seu próprio Espírito vem clarear nossa memória (Jo 14:26). Como disse Lutero, “precisamos ouvir o Evangelho todos os dias, porque nos esquecemos dele todos os dias”.

“Precisamos ouvir o Evangelho todos os dias, porque nos esquecemos dele todos os dias.” (Martinho Lutero)

Como ocorreu com o povo de Israel, às vezes é necessário que Deus levante adversidades para que nos lembremos dele, como mostra o Salmo 78. É nossa necessidade lembrar para ter gratidão e firmar compromisso com Ele.

Relembrar para confiar em Deus

Dissemos acima que relembrar é também para pôr a confiança em Deus. Diante de dificuldades pode ser que nos esqueçamos do Deus poderoso que cuidou e cuida de nós tantas vezes. Os discípulos desesperados durante a tempestade despertaram a Jesus, que dormia na popa do barco, dizendo: “Mestre, não te importa que pereçamos?” (Mc 4:38). Eles haviam se esquecido de quem era o que ia com eles, dos milagres que havia operado, por isso ouviram dele: “Como é que não tendes fé?” (v. 40).

A fé vem pelo ouvir, por isso precisamos ouvir muitas coisas de novo e de novo… Se temos bem claro em nossa memória tudo o que Deus é, o que fez por nós, em momentos difíceis traremos a ela o que realmente pode nos trazer esperança (Lm 3:21).

Aos que se esquecem dos momentos marcantes que tiveram com Deus e se aventuram abertamente pelos caminhos dos prazeres mundanos, Ele diz mostrando seus ferimentos: “Lembra-te!”. E não somente a estes, mas também àqueles que de alguma forma deixaram seu primeiro amor por Deus. Este é o alerta para todos nós: “Lembra-te”!

“Só tenho medo quando esqueço

E a memória é tudo aquilo que nos falta

Que o dia todo é transparência

Pra essa graça”

(Palavrantiga)

Um texto que surgiu de uma conversa com o amigo Wayne Moore.

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