Certa vez, uma cena me intrigou. Eu estava em uma conferência cristã na Estância Árvore da Vida em Sumaré, São Paulo. Chovia muito e já era noite. Muitos dos que lá estavam se esconderam debaixo de algumas tendas que serviram como abrigo, inclusive meu marido e eu. Enquanto a chuva não passava, quem estava ali aproveitou o momento para comer, ter comunhão sobre a palavra de Deus  e conversar.

Em meio a esse episódio, a alguns metros do local em que estávamos, havia um menino de aproximadamente 7 anos andando tranquilamente pela chuva. Ele olhava para o céu, para o chão, para as gotas que molhavam seu corpo, parecia se espantar e, ao mesmo tempo, se deliciar com o que estava acontecendo. Eu, meu marido e mais algumas pessoas, pedimos para ele sair da chuva, pois poderia pegar um resfriado. Foi quando o pai do menino apareceu e nos falou para deixá-lo aproveitar o momento, pois onde eles moram não há chuva. O pequeno menino nunca havia visto aquela abundância de águas caindo dos céus.

Que fato impressionante! Ele não conhecia a chuva! Para mim, algo tão comum; para ele, um fato inédito e espetacular. Era possível notar sua vontade de aproveitar ao máximo o que acontecia. Foi quando me coloquei a meditar e me senti exposta. Contarei o porquê.

Vamos relacionar a cena em questão com o versículo 38 de João capítulo 7: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.” Começaram a visualizar a cena de forma diferente? Quando eu vi todos aqueles irmãos se escondendo da água, e pior, quando me vi exortando o menino que tanto valorizava aquele jorrar, me envergonhei. Senti que através daquela situação, o Senhor me mostrava qual era a minha condição espiritual. Quanto temos valorizado o jorrar do Espírito, a água abundante, colocada sem fim a nos suprir? Assim que fomos reconciliados e regenerados pelo Senhor, foi colocado diante de nós esse jorrar infindo de vida para que cresçamos, amadureçamos e sejamos aqueles que trabalham em prol do reino de Deus. Qual tem sido nossa atitude diante desse jorrar? Precisamos beber como aquela criança, cheia de simplicidade e pureza, aproveitando cada segundo dessa água que não cessa de jorrar, pois não sabemos quanto tempo nos resta, precisamos labutar enquanto não finda a nossa carreira.

Quando vemos irmãos bebendo do Espírito, se “esbaldando”, o que fazemos? Os julgamos, exortamos, condenamos? Se sim, sinto dizer: “Estamos velhos.” Há um tempo, li num livro chamado A Palavra e a Oração na Vida Cristã publicado pela Editora Árvore da Vida, algo que falava o seguinte: “Irmãos, não envelheçam. […] Possivelmente não é pelo pecado que vocês estão entulhados, talvez nem pelo mundo, ambição, orgulho ou mesmo pelas riquezas. Entretanto, algo os está entulhando, e eu creio que o principal motivo seja a velhice espiritual, a tradição.”

Nós, cristãos, temos uma incrível facilidade em aderir a costumes, práticas até mesmo saudáveis, e transformá-los em regras, tradições. São como muletas em que nos apoiamos e aprisionamos, como se estivéssemos em uma fôrma. Apesar de nos recusarmos a sermos formatados de acordo com o mundo, acabamos criando moldes “espirituais” que prendem tanto quanto o sistema mundano e impedem o mover do Espírito.

Os princípios não mudam, mas a forma de Deus agir não pode ser enquadrada nos padrões que criamos. E mais, precisamos parar de querer colocar os irmãos, e todos aqueles que se dizem cristãos, em nossos moldes. A maneira de Deus agir com cada um é diferente, pois a forma de cada um receber o cuidado divino é diferente. Às vezes, o que eu considero cuidado, não tem o mesmo efeito sob meu próximo, por isso, o modo de Deus agir varia, mas sem ceder ao nosso querer, sempre dentro dos limites da Palavra levando-nos ao selar do Espírito. Sejamos aqueles que avaliam a si mesmos e usam de misericórdia para com o próximo.

Não fique velho! Fazer com que envelheçamos também é uma estratégia do inimigo para nos esfriar. No momento em que isso acontece, perdemos o frescor de ser guiados pelo Senhor, tornamo-nos excessivamente críticos, a ponto de perdermos a sensibilidade espiritual. Acabamos não tendo força para tocar na Palavra, para orar e nos aproximamos cada vez mais da morte.

Então, que tal renovarmos nossa consagração ao Senhor e pedir-lhe que tire de nós toda velhice? Para que não percamos a comunhão com Ele e não sejamos aqueles que vagam anos sem ao menos tocar uma vez no Espírito. Vamos fazer uma oração juntos? “Ó Senhor Jesus! Ó Senhor Jesus! Mais uma vez venho a Ti, peço que me limpe e me dê novamente o prazer de estar em Tua presença. Faça-me valorizar o jorrar do Teu Espírito que está sempre disponível a mim. Senhor, que através de invocar o Teu nome e desfrutar Tua Palavra eu possa ser curado de toda velhice espiritual e seja como uma criança cheia de sede de Ti. Obrigada por não desistir de mim e por me amar a ponto de me chamar insistentemente ao arrependimento. Eu te amo, Senhor! Ó Senhor Jesus! Amém!”

Que você, amado leitor, possa ter um novo começo com o Senhor, renovando-se no poder que há no nome de Jesus. Beba sem cessar dessa fonte a jorrar no seu interior! E não se esqueça de deixar o seu comentário e compartilhar esse texto para que seus amigos possam ser ajudados com uma palavra de vida, coopere conosco!

Jesus é o nosso Senhor!

 

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