Eu não aguentava mais aquela situação. Já havia orado, jejuado, dado o meu melhor. Mas aquele problema não se resolvia! Sabia que o Senhor estava cuidando de mim. Mas, ainda assim, períodos de ansiedade iam e vinham pesando em meu coração, deixando minha alma abatida. Em meio a todos os conflitos, tive o apoio da minha família, de irmãos da igreja e amigos que me consolavam e não me deixavam desistir. Mas, no fundo, eu só queria me ver livre daquela tribulação o mais rápido possível.

Para aumentar meu desgaste, havia o receio de estar envergonhando o nome do Senhor. Tinha medo do que as pessoas iriam pensar, afinal, se realmente sou cristã, por que a minha fé e o Amor por mim pregados não resolviam logo aquela situação? Por que eu tinha de passar por tudo aquilo?

O sofrimento referido acima, amado jovem, se relaciona com uma matéria da minha faculdade que você já deve ter ouvido falar: a famosa Física 3. Algumas pessoas têm facilidade e até gostam. Mas esse não foi meu caso. Estudei, chorei, fui reprovada… E um dia, depois de muita perseverança, alcancei a vitória para honra e glória do Senhor! Dessa experiência, entretanto, o mais interessante não foi ser aprovada em uma disciplina tão desafiadora. Para mim, o maior ganho com Física 3 foi conseguir entender um pouquinho o sentimento do salmista ao dizer: “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Sl 119:71). Creio que você já passou por situações difíceis também, certo? Afinal, quem nunca sofreu? Mas também tenho certeza que ainda iremos passar por muitas dores ao longo de nossa jornada aqui.

Além da certeza de sofrimentos por vir, existe o fato de que Deus nos ama de forma ilimitada e inexplicável. Para nos resgatar, Ele foi capaz de dar o que tinha de mais precioso: Seu Filho Jesus (Jo 3:16). Ele tem planos maravilhosos para cada um de nós (Jr 29:11) e diante disso, não duvidamos que  tudo o que nos ocorre sempre cooperará para o nosso bem (Rm 8:28). Mas, se Deus é amor, por que Ele permite que Seus filhos sofram?

Tipos de sofrimentos enfrentados por um cristão

O evangelho verdadeiro pregado por Cristo nunca nos enganou: Ele nos advertiu de que no mundo passaríamos por aflições (Jo 16:33; 1 Pe 5:9-10).  Quando estamos em uma provação, somos levados ao limite e forçados a enfrentar desafios, frustrações, medos e perdas. Esse desconforto pode trazer péssimas consequências para todo o nosso ser: crises de ansiedade, depressão e outros transtornos. Em alguns momentos, até o relacionamento com Deus pode ser abalado. Perguntamos: será que Deus se esqueceu de mim?

Para entender melhor sobre sofrimentos, precisamos nos voltar para nosso manual de referência. A Bíblia é clara e os classifica em duas categorias (1Pe 4:12-19). Em primeiro, é aquele proveniente de nossa teimosia e desobediência. Quem descumpre algum padrão de Deus precisa enfrentar as consequências. A gente sempre colhe o que planta (Gl 6:7). Nessas situações, o Senhor, sendo um Deus justo, zeloso e temível, vem tratar com nossos erros (Dt 4:24).

Já o segundo tipo, é o sofrimento que tem por foco mortificar o pecado que habita em cada um de nós e fazer com que Deus seja glorificado. Isto pode ser visto na passagem de João 11:1-46, onde Jesus ressuscitou Lázaro. O Senhor, mesmo sendo poderoso, permitiu que Lázaro morresse. Ele, que tanto amava Marta e Maria, escolheu nem mesmo chegar a tempo do velório para consolar às duas irmãs em meio a dor do luto. Ainda assim, o resultado de toda aquela situação foi extraordinário: Lázaro ressuscitou, muitas pessoas foram salvas e o fato se tornou um registro precioso na Bíblia. Esse tipo de sofrimento, amado leitor, é uma verdadeira dádiva! O que ele produz em nós tem eterno peso de glória (2 Co 4:17).

O que está escrito nas entrelinhas de uma provação

Gênesis 22 é uma passagem que pode ser usada para iluminar os nossos olhos, para ver que por trás de cada provação existem detalhes maravilhosos que expressam o cuidado de Deus para com Seus filhos. Nesse contexto, Abraão foi posto à prova. Aquele a quem Deus tinha aparecido, ouvido a Seu chamamento e recebido uma promessa, não escapou do trabalhar divino. Se atentarmos somente para o fato principal desse capítulo, conseguiremos apenas ver Abraão sendo conduzido a perder seu único filho. Entretanto, a finalização do texto é muito rica! Após a aprovação de Abraão, é citado sobre a descendência de Naor e o nome de Rebeca aparece pela primeira vez nos registros da Palavra. “BETUEL GEROU A REBECA; estes oito deu à luz Milca a Naor, irmão de Abraão” (Gn 22:23).

Aos olhos de Abraão, ele estava sendo provado. Mas aos olhos de Deus, tudo já estava sendo preparado para que as bênçãos na vida de Seu filho se concluíssem. Isaque não iria morrer e sua futura esposa já estava sendo preparada para tornar a descendência de Abraão tão numerosa como as estrelas do céu e a areia da praia.

Jovem, você e eu precisamos ver as provações sob a ótica divina. O objetivo de Deus é nos tornar perfeitos e Ele não vai desistir de concluir essa boa obra até o grande dia (Fp 1:6). Vamos usar as situações difíceis para conhecermos mais o que Deus é e pode fazer (Ef 3:20; 2 Co 1:9). Ele sofre conosco e pode nos consolar (Sl 94:19). Além disso, a consolação com que nós somos confortados durante nossas angústias nos habilita a auxiliar aqueles que estão passando pelo mesmo processo (2 Co 1:3-5). O sofrimento nos torna perseverantes (Rm 5:3-4) e fieis a Deus (Sl 119:67).

Certamente, não pediremos a Deus que nos envie dificuldades. Mas quando elas chegarem, vamos aproveitar as oportunidades para aprendermos a viver contentes em toda e qualquer situação (Fp 4:11-13). As tribulações, quando nos sobrevêm, são necessárias e por breve tempo (1Pe 1:6-7), não excedem o que podemos suportar (1Co 10:13) e têm uma data divinamente determinada para sua conclusão. “Pois o necessitado não será para sempre esquecido, e a esperança dos aflitos não se há de frustrar perpetuamente” (Sl 9:18).

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