Nós, que somos cristãos, sempre ouvimos e falamos sobre a glória de Deus e quão grandiosa ela é, mas muitas vezes esquecemos que ela pode estar em nós – basta querermos. Antes de falarmos sobre isso, vamos recorrer à Bíblia para sabermos o que é essa glória.

Há três trechos importantes sobre o assunto no Velho Testamento. Primeiro, no livro de Êxodo, Moisés escreve sobre a glória do Senhor que enchia o tabernáculo (Ex 40:34-35). Segundo, temos a passagem em que Moisés pede para que Deus lhe mostre Sua glória, e Deus permite que Moisés veja as Suas costas (Ex 33:17-23). Terceiro, temos a passagem em Êxodo 16:10, quando Arão exorta os hebreus que se voltem a Deus. Neste momento, todos olharam para o deserto e a glória do Senhor apareceu na nuvem.

Aqui, vemos três manifestações da glória do Senhor. Na primeira, um lugar é preenchido pela glória. Na segunda, a glória é mostrada a Moisés como motivo de alegria. Por fim, na terceira, a glória é mostrada ao povo como repreensão.

No Novo Testamento, esse assunto ganhou outra cara. Um exemplo interessante é o de Jesus no monte da transfiguração. Lá, o Senhor mostrou o Seu corpo transfigurado para Pedro, Tiago e João. Naquele momento, eles viram a glória de Deus expressa pelo corpo transfigurado do Senhor Jesus (Mt 17:1-8; Mc 9:2-8; Lc 9:28-36). No evangelho de Mateus, particularmente, é dito que o rosto do Senhor resplandecia como o Sol. Isso mostra que a glória é tão forte quanto o Sol. Se nossos olhos de carne pecaminosa não aguentam olhar continuamente para o Sol, muito menos para glória manifestada.

Todas as passagens mostram que a glória é muito mais do que as pessoas em geral imaginam. A glória não é simplesmente uma luz, a glória é a expressão da presença de Deus, a manifestação de seu valor e grandeza. No tabernáculo, a arca continha a glória de Deus, e quando o Senhor selou a aliança com o povo, ela foi dada como a arca do testemunho, a expressão de Deus.

Quando o povo viu a glória do Senhor na nuvem, eles não viram uma luz, eles sentiram a presença do Senhor os repreendendo.

Quando Moisés viu a glória de Deus, ele não viu simplesmente uma luz, ele viu o próprio Deus.

No monte, com os discípulos, o rosto de Jesus brilhava, porque o seu corpo transfigurado era capaz de expressar a Deus a presença Divina.

E nós? Como podemos expressar essa glória? Expressando Deus através das nossas vidas para fazê-Lo presente para outras pessoas, buscando honrá-lo em tudo que fizermos.

Temos muitos testemunhos de irmãos que foram ganhos através da expressão da glória do Senhor nas pessoas. Muitos deles, sem terem falado de Deus para as pessoas, ouvem delas: “O que é isso que tem de diferente em você?”. Isso é um exemplo da glória sendo expressa espontaneamente através de nosso viver.

Já ouvi o testemunho de um homem que, antes de se converter, visitou a casa de um irmão e, pela maneira que o banheiro estava limpo, ele sentiu um clamor em seu coração dizendo: “EU PRECISO ADORAR ESSE DEUS!”. Aqui temos um exemplo da glória expressa através de simples tarefas do dia a dia. Como escreveu Paulo “quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Co 10:31).

E nem contamos aqui as inúmeras vezes em que pessoas foram ganhas pela glória do Senhor no amor que os irmãos expressam.

Nos tempos presentes, não podemos transfigurar nosso corpo ou resplandecer a luz de Deus em nós como Jesus fez no monte da transfiguração, mas podemos expressar a Deus em nossas atitudes mais simples: um abraço; um “eu te amo”; e até mesmo um simples “bom dia!” podem ser suficientes para tanto.

Se estivermos no espírito, podemos expressar a Deus em qualquer coisa do nosso viver. Você consegue imaginar uma pessoa vendo Deus na maneira como segura um garfo? Isso é possível!

Às vezes pensamos que só precisamos fazer as coisas de Deus no espírito (onde contatamos o Espírito Santo), mas isso não é verdade! Precisamos fazer absolutamente tudo no espírito!  Cristo enviou Seu Espírito com a missão de que este o glorificasse (Jo 16:13-14). É permanecendo sempre no Espírito que Cristo será manifestado e exaltado por meio de nós.  Assim, tudo se torna uma maneira de expressar a Deus, fazer Sua glória ser vista e vidas serem mudadas.

Você já se deparou com algum irmão que tem mais maturidade espiritual e sentiu, só de chegar perto desse irmão, um clima que te leva a buscar a Deus? Isso é a glória expressa através da profunda comunhão que esses irmãos têm com o Senhor continuamente.

O crescimento da vida divina em nós até a maturidade está dentro do coração de Deus, afinal, Ele deseja que todos cheguem ao pleno conhecimento da verdade e à mesma medida da estatura da plenitude de Cristo (1 Tm 2:4; Ef 4:13). Só que todo esse crescimento existe para nos levar à expressão de Deus. Nesse sentido, podemos dizer que assim como Paulo foi encarregado do evangelho da glória do Deus bendito, nós também o fomos (1 Tm 1:11).

Inclusive, Paulo escreveu isso antes de seu último  aprisionamento, quando estava chegando no ápice de sua maturidade e tinha uma visão muito mais completa da Palavra. Sendo assim, a glória de Deus é um importante alvo a ser alcançado e expressá-la faz parte da missão que nos foi dada.

Ou seja, a glória é mais que uma simples luz. A glória é o fim da nossa natureza caída e o início da expressão de Deus; é parte dos mais altos planos de Deus para nós. Por isso, jovem, renda-se ao evangelho da glória do Deus bendito e deixe as pessoas verem Deus em você!

Texto inspirado na mensagem “Ó Profundidade da Riqueza, Tanto da Sabedoria, como do Conhecimento de Deus”, ministrada por Pedro Dong, durante a conferência regional no Rio de Janeiro no 2º Semestre de 2018.

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