Sabe quem você é? Sabe o que está fazendo aqui?

Questões existenciais lhe davam preguiça. Estava contente com sua vida “mais ou menos”, nem lá, nem cá. Estava confuso, certamente, mas não havia nada que lhe motivasse a pôr as coisas em ordem. As decepções o haviam levado até ali. Por muitas delas, ele mesmo havia sido o culpado e já se via sem esperanças. “E não é isso o que a vida é, afinal, um conjunto de decepções sem fim?”, pensava.

Você é amado por Deus. E Ele tem uma nova vida pra você.

Já ouvira aquela história. “Por que não tentar?”, pensou. “Está tudo tão bagunçado, não tenho nada a perder”. Assim, caiu de pára-quedas em um novo caminho. Quem sabe agora poderia ser alguma coisa? Rejeitado por meio mundo, naquele momento encontrava pessoas que o apoiavam. “‘Um homem de Deus’, eles disseram. Eu posso ser ‘um homem de Deus’”. Alegrou-se. Era esforçado, ninguém negava. Prosseguiu, envolveu-se. Via a si mesmo como gênio brilhante, faria grandes coisas, seria um exemplo, por que não? Deram-lhe cargos. Deveria trabalhar, deveria até ensinar a outros. Seria, também como disseram, “um vaso de benção nas mãos de Deus”.

Seus apoiadores, no entanto foram surpreendidos: o tolo autoconfiante lhes decepcionou gravemente. Seus vícios ocultos vieram à tona. Era desastrado, era irresponsável. Sempre fora, e não mudara. Não havia como fugir. Não, não poderia ser “um homem de Deus”, pensou. Não seria “vaso de bênção” nenhuma. Era uma fraude para si mesmo. Enganara-se novamente, e agora encontrava-se com a verdade: um idiota, um safado, uma piada, esse era ele, rejeitado por muitos com razão.

“Certamente, não posso ser um ‘homem de Deus’”, pensou. Motivações erradas, vícios, falta de respeito e interesse por sua Palavra… Poderia Deus escolher alguém como ele, com tantos defeitos e fraquezas? Poderia um vaso de barro conter tesouro celestial?

Viu-se ingrato ao amor que recebera em Cristo Jesus. Tantas vezes desobedeceu-lhe sem remorso, ostentando aparência de santo. Viu-se um desperdício de tempo a todos que lhe apoiaram. Pesou-lhe a culpa, apertou-lhe a desilusão. Considerou a desistência. Chegara ao poço mais fundo.

Quando a dor da tristeza atingira o ápice e ele não via mais nada além de seus erros. Orou:

“Pai,

Eu sou errado para cumprir a Tua obra. A minha alma é forte demais e os meus erros do passado me assombram. O bem que eu quero, este eu não faço, mas o mal… Estes a minha alma anseia. Pai, eu não entendo. Enquanto o meu coração arde pela Tua obra, a minha alma anseia pelos caminhos da morte. A luta para seguir na caminhada é muito sofrida pra mim, Senhor, até quando a minha alma e os meus desejos reinarão? Os meus irmãos olham para mim e eu não me sinto digno de mostrar o caminho a eles! Eu sou sujo e imundo, Pai. O que posso te pedir é que me conceda o Teu perdão.”

Ajoelhado. Sozinho. Sentia o peso da decepção sob suas costas. Os erros foram graves, não sabia como repará-los. E quando não havia mais fôlego para segurar o soluço das lágrimas que escorriam pelo rosto, sentiu o peso de uma mão em seu ombro. “Mas eu estou sozinho aqui”. Não, não estava. Uma voz firme, porém doce, sussurrou em seu ouvido.

“Filho,

Não olhes para tua alma caída. Não olhes para os teus erros com repulsa. Eu não exijo perfeição de ti agora. Tu és barro, Eu sou glória e a minha glória vai brilhar no teu barro (2 Co 4:7). Não digo para olhar para os teus erros com orgulho. Olha para os teus erros como degraus para o seu crescimento. Não exijo que sejas maduro antes de me servir. Quero que me sirva assim: errado, sujo, imaturo, porém com coração aberto para o meu trabalhar em ti. Porque a obra e os teus irmãos far-te-ão subir os degraus do crescimento que anseias. Não lutes o confronto com a tua alma caída sozinho, Eu estou aqui para suprir o que precisas e a luta da tua alma, Eu luto contigo. Queres vencer a tua alma, filho? Me sirva.”

{esse é nosso trabalho: aceitar as fraquezas mas permitir que nelas o poder se manifeste… Mostrar que a glória vai brilhar no barro até o dia em que o nosso corpo de barro seja glorificado totalmente na volta do nosso Senhor e salvador. Por isso, sirva-O}

*anti-herói: protagonista sem as qualidades e virtudes normalmente atribuídas aos heróis.

Texto escrito em conjunto com um grande amigo chamado Gustavo Corrêa. Que o Eterno continue falando por meio de ti, meu amigo.
Esse texto foi publicado também na página Ore Depois de Ler. Acesse e descubra um universo de belas, fortes e profundas reflexões para lhe aproximar de Cristo.

Deixe seu comentário