“Como falamos na Parte 1 (As pessoas têm histórias | Parte 1: Jesus e as multidões), deste texto, as atitudes das pessoas para conosco podem ser resultado de suas histórias e situações que estão passando no momento. Caso tal atitude não nos agrade, podemos acabar agindo de modo insensato e incompreensivo para com elas. Mas vimos também o exemplo de Cristo, que mesmo com todos os motivos que teve para desistir da humanidade, por conta das atitudes dela para com Ele, continuou curando pessoas e amando-as a ponto de entregar Sua vida por nós! Nesta segunda parte falaremos de lições que podemos aprender sobre Seu sacrifício.”


Quando o momento de Sua partida era chegada, um dos Seus doze discípulos – Judas traiu o Senhor entregando-O aos que O queriam ferir (Mt 26:47-50). Só esta última frase já traz um sentimento tão aflitivo ao nosso coração! Alguém que o Senhor tornou próximo para que pudesse receber Sua vida mesmo sabendo que ele não era confiável (cf. Jo 12:6) e que recebeu tanto amor, traiu O Senhor.

Mas aí podemos pensar que Judas não amava ao Senhor por isso que fez algo tão perverso e ingrato com Ele. Mas, há uma outra pessoa nessa história que amava ao Senhor verdadeira e profundamente, e que ainda assim, machucou o Seu coração. Este foi Pedro.

Antes de Sua morte, Jesus disse aos discípulos o que estava para acontecer. Disse que eles se escandalizariam com Ele e ficariam dispersos, mas que depois da ressurreição Ele iria encontrar-Se com eles na Galiléia. Pedro, sem hesitar, afirmou que o Senhor nunca seria um tropeço para ele, mesmo que fosse para todos os outros. Mas, Jesus conhecia a natureza humana. Pedro queria fazer o bem com a sua própria força mas, Jesus avisou-o que ele O negaria três vezes ainda naquela noite, antes que o galo cantasse duas vezes. Pedro, então, refutou dizendo que se fosse necessário, até morreria com Jesus, mas não O negaria. Depois desse momento, Jesus foi com eles para o Getsêmani. Pediu aos discípulos que vigiassem com Ele em oração, mas eles logo adormeceram. No momento de maior angústia do Senhor frente à Sua morte, nenhum dos Seus amigos próximos pôde vigiar com Ele, nem mesmo Pedro, que a momentos atrás dera a plena certeza de que não O negaria (Mc 14:27-42).

Prosseguindo a narrativa, o momento em que O Senhor seria levado chegou, e todos os que estavam com Ele fugiram. Apenas dois dos seus discípulos O seguiram de longe, dos quais Pedro era um (Jo. 18:15). Ele ficou no pátio do sumo sacerdote enquanto Jesus estava sendo interrogado. Uma criada reconheceu Pedro e disse que ele também estava com Jesus. Ele logo negou o que ela havia dito, dizendo que não O conhecia e o galo cantou pela primeira vez. Então, Pedro saiu para o alpendre e lá, a criada o viu novamente e fez a mesma afirmação. De novo, ele a negou. Pela terceira vez, outras pessoas aproximaram-se de Pedro e afirmaram que ele era um dos que andavam com Jesus, pois era perceptível pelo seu jeito de falar. Pedro negou mais uma vez e  jurou que não conhecia Jesus. Pedro que pensava amar tanto Jesus, no momento em que se viu acuado, negou-O. Neste momento, o galo cantou pela segunda vez e Pedro lembrou-se das palavras do Senhor. O Senhor, todavia, o que fez? “então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro”. Após ver o olhar do Senhor, Pedro se lembrou do que Ele havia lhe dito, e, por isso, chorou amargamente (Mt. 26:69-75; Mc. 14:66-72; Lc. 22:54-62; Jo 18:15-18, 25-27). 

Já tentei diversas vezes imaginar tal olhar do Senhor apesar, de ter mexido profundamente com Pedro e lhe ter trazido tristeza isso levou-o ao arrependimento (cf. 2 Co 7:10). O Senhor não queria condenar Pedro com aquele olhar. Quando desapontamos o Senhor o que Ele deseja é nosso arrependimento e não que nos afastemos (cf. Mt 9:13; Ap. 2:5; Mc 10:21). Aqui vemos mais uma vez como O Senhor reage frente às situações que Lhe ferem o coração.

Ainda sobre o sacrifício do Senhor por nós, vemos muitos trechos fortes e profundos que nos deixam impressionados em ver como Ele foi manso e não teve um coração de ódio ou vingança pelo que foi feito à Ele, mas de amor e perdão. Após interrogar Jesus, ouvir muitas falsas acusações e não identificar Nele injustiça alguma, Pilatos perguntou ao povo se eles queriam que soltassem a Jesus ou a Barrabás – um conhecido homicida – e o povo escolheu à Barrabás e ainda se “comprometeu” afirmando que a culpa do sangue de Jesus cairia sobre eles e sua descendência.

Jesus, então, foi açoitado, despido das suas vestes, coberto com um manto escarlate, coroado com uma coroa de espinhos, deram-lhe um caniço, zombaram Dele, esbofetearam-No, cuspiram-No, colocaram suas próprias vestes Nele e o crucificaram. Muitos debocharam Dele, inclusive um dos ladrões que estavam ao Seu lado na cruz. Além de toda a dor física e psicológica que O Senhor estava sofrendo, ainda deram-Lhe a beber vinagre (Mt. 27:11-50; Mc. 15:1-37; Lc. 23:1-46; Jo 18:28-40; 19:1-30). Frente à toda essa dor profunda e injustiças tão intensas, o Senhor não desceu da cruz  para vingar-se de Seus inimigos, nem pediu ao Pai para que o fizesse. Pelo contrário, a oração foi: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lc. 23: 34a).

Por esta oração e pelo Seu amor incansável pelos homens, os mesmos judeus junto com as outras pessoas que fizeram-Lhe tão mal puderam ter a chance de o receber dias depois através da pregação de Pedro no dia de Pentecostes! Pedro disse a eles que se arrependendo e sendo batizados, eles receberiam o dom do Espírito Santo porque aquela era a promessa para eles, para seus filhos e para todos os que Deus chamasse! A graça de Jesus se estendeu a todos e naquele dia quase três mil pessoas se arrependeram e se batizaram! Eles perseveravam juntos sob a orientação dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão, nas orações, temiam a Deus, dividiam seus bens uns com os outros, comiam juntos com alegria e simplicidade, louvando a Deus e gerando-Lhe muitos frutos! Que maravilha! Eles receberam a vida de Deus, que se sacrificou por eles e agora entregaram as suas vidas a Jesus, por terem sido alvo do Seu amor (At. 2:1-47)!

Ó Senhor Jesus! Quanto amor pela humanidade! Quanta misericórdia O Senhor tem com os pecadores. Nesta situação da morte de Jesus, eu mesma fui participante, pois Cristo morreu em meu lugar, para salvar-me dos meus pecados (Is. 53:5). Quantas vezes neguei, machuquei, magoei, decepcionei o meu Senhor quando era Sua inimiga? E hoje, já salva por Ele, quantas vezes ainda Lhe trago dores e tristezas?

Ó Senhor Jesus! Como preciso de Ti! Como preciso do Teu amor me protegendo e sendo meu encorajamento para caminhar Contigo por essa jornada. Não quero viver para Te fazer mal, mas bem, por todos os dias da minha vida (Pv. 31:12)! Senhor, muito obrigada pelo teu amor por mim! Por Tua compaixão, Senhor, muitas das pessoas que estavam entre a multidão foram salvas. Pelo Teu perdão muitos dos judeus que Te maltrataram foram resgatados. Pela Tua misericórdia, Senhor, a humanidade teve acesso novamente a Deus! Pela Tua compaixão, Senhor, pelo Teu perdão e misericórdia o evangelho chegou até mim que sou pecadora, cheia de ingratidão, que tanto fere a Ti com minhas atitudes, palavras, sentimentos e que ainda falha ao julgar as pessoas no meu coração sem conhecê-las. 

O evangelho chegou a mim e começou a ganhar meu coração. O Evangelho fez morada em mim e tem me levado a ser mais parecida Contigo sempre que me volto à Ti. O Evangelho em mim olha para as pessoas ao meu redor e deseja Se aproximar delas. O Evangelho em mim vai em busca dos perdidos para levá-los de volta a Deus. O Evangelho em mim me diz no profundo do coração: “não desista, as pessoas têm histórias. Elas podem ter atitudes que te machucam, mas isso ocorre porque elas ainda não têm minha Pessoa em si. Quando Eu te busquei, você também não queria uma aproximação. Precisei usar meu amor para te alcançar. Sei que suas próprias forças não são suficientes para prender essas pessoas. Mas, utilizarei as cordas humanas e os laços de amor com os quais Eu mesmo te atrai. Eles não se quebram com as ofensas, nem desanimam com palavras duras. São indestrutíveis. Com o amor que Eu te amei, vá em busca deles, minha filha. Eu também os amo! E se os que te ferirem já tiverem minha vida em si, não se preocupe, minha vida neles está crescendo. Eles não são agora o que serão. Eles serão minha plena expressão! (cf. Os. 11:1-4; 2 Co. 3:18; Ef. 1:22-23).

Assim, O Evangelho que entrou em mim, através da compaixão de Jesus, que conhece a minha história, sabe dos meus desânimos e das minhas dificuldades e que me ama indescritivelmente, consegue então me encorajar e encontra assim, outras pessoas que assim como eu, também têm histórias!

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