“Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu.” (Sl 84:3 – ACF)

Como é bom retornar à nossa casa após uma longa viagem. Como é bom estar em nosso lar! De maneira muito mais excelente, podemos suspirar alegres por estar nos átrios do Senhor (Sl 84:1,2), no qual temos a real sensação de estar em casa. Jesus nos ordena habitar Nele e somente ali podemos encontrar real satisfação (Jo 15:4).

Cristo nos acolhe

Charles Spurgeon traz uma explicação especial sobre como os versículos acima mostram Cristo acolhendo a nós, pecadores:

“O que eram essas criaturas que encontraram uma casa? Bem, elas eram apenas pardais, porém elas encontraram uma casa perto dos altares de Deus (…) Pardais são coisas muito insignificantes. “Não se vendem dois pardais por um asse?” (Mt 10:29), disse Cristo a seus discípulos.

Eu e vocês, queridos amigos, quando realmente nos vemos como somos na visão de Deus, por causa de nosso pecado, nos sentimos ainda mais insignificantes que pardais (…) Porém, assim como aos pardais foi permitido encontrar suas casas sob os beirais do tabernáculo de Deus, também nós, indignos como somos, podemos vir e construir sob o abrigo de sua grande casa de misericórdia. Ali podemos achar um refúgio seguro e perfeita segurança por todo o tempo e por toda a eternidade. Você que se sente desprezado e esquecido, lembre-se que o pardal encontrou uma casa no altar de Deus (…) Jesus disse: ’o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.’ (Jo 6:37b).”

O desejo de Cristo é que estejamos onde Ele está: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17:24). Não importa o quanto de pecado tenhamos praticado, Ele acolhe os que vêm a Ele com um coração arrependido. Como o pai recebeu de volta ao lar o filho pródigo que havia se afastado (Lc 15:11-32), Ele nos recebe de volta com graça e amor ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído. E de nossa casa celestial ninguém poderá nos tirar.

Os significados do lar

A palavra “casa” nos remete a muitas coisas. Primeiramente, quando encontramos casa em nosso Senhor Jesus Cristo, provamos segurança Nele. Assim como o pardal estava protegido dos ventos de tempestade em seu abrigo, quando as tempestades da consciência vêm sobre nós, podemos nos sentir seguros ao nos esconder no lugar onde Cristo sofreu por nós. Isto é, embora fôssemos merecedores de condenação por nossos pecados, estamos protegidos dela no abrigo da expiação que Ele ofereceu por nós no Calvário. Quando o julgamento de Deus vier sobre o mundo, os Seus filhos estarão seguros.

Em face de perigos, devemos sempre nos refugiar no Senhor. Veja, no Salmo 91, como o salmista se esconde nele em meio à angústia e aos perigos. Ele fala sobre habitar “no esconderijo do Altíssimo”, descansar “à sombra do Onipotente” (v.1), confiar naquele que é seu “refúgio” e “fortaleza” (v.2), ser coberto “com as Suas penas”, e estar seguro “sob Suas asas”(v.9). Ali, o salmista não tem medo de qualquer terror ou perigo (vs. 5-6).

Além de segurança, em Cristo encontramos descanso. Nosso Senhor completou a obra de redenção, nos concedeu perdão e vida eterna. Ao meditar nessas coisas podemos descansar tranquilamente nele, recebendo as bênçãos provenientes de tão grande salvação. Apesar das adversidades desta vida, Ele conserva em paz perfeita aqueles que Nele confiam e cujos propósitos estão firmes Nele (Is 26:3).

Uma casa também é um lugar de habitação. Não podemos pensar que é possível estar em Cristo apenas temporariamente. Somos chamados a habitar nele continuamente. Esse era o desejo do salmista e também deve ser o nosso:

“Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no Sseu templo.” (Sl 27:4).

Casa também é um lugar de prazer. Quando alguém chega à sua casa, ali se sente tranquilo e confortável. Quando o pardal encontra seu abrigo, ali tem suas necessidades supridas e canta alegremente. Quando fazemos nossa casa em Cristo, nossa alma se enche de alegria. Mas a grande ênfase do salmista está no fato de que a casa do pardal estava próxima do lugar de habitação de Deus na terra. Se estamos em Cristo, nos achegamos a Deus Pai!

Aí podemos ver ainda um outro significado: o pardal encontra sua casa na congregação dos santos. A igreja é a casa de Deus, o ajuntamento daqueles que contêm Seu Espírito no interior. Na unidade deles, Deus é revelado (Jo 17:21)! Por isso, como o salmista, devemos nos alegrar na presença de nossos irmãos e dizer:

“Quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer.” (Sl 16:3).

Cultive seu amor pelas reuniões da igreja! Alegre-se por estar no meio daqueles que juntos buscam a Deus e ajudam-se mutuamente a viver a vida cristã. Mais que isso: edifique essa casa. Sejamos abrigo aos feridos, cansados e desesperançados ao nosso redor, acolhendo-os na família de Deus!

Sem um lar na terra

É importante perceber que, para conceder-nos tudo isso, Jesus teve que viver sem um lar. Ele não tinha um lugar nesta terra para chamar de casa, como disse: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8:20). É amargo não ser acolhido e sofrer a rejeição.

Ele deixou a comunhão eterna que tinha com o Pai para habitar em meio a situações de limitação e sofrimentos humanos, além de ter que lidar com a incompreensão daqueles que lhe eram mais próximos. Não havia lugar na estalagem e Ele nasceu numa manjedoura. A Casa do Pão (significado de “Belém”) não pôde receber o Pão vivo que desceu dos céus. Herodes queria matá-lo. Os religiosos o rejeitaram. Ele não pertencia a este lugar. O mundo, por fim, livrou-se dele na cruz, não sabendo que, ali, Ele seria vitorioso.

Jesus também advertiu que segui-lo seria difícil, pois seus seguidores também passariam a não ter “casa” aqui. Se o mundo o rejeitou, como poderíamos nós não rejeitar o mundo e pensar que aqui é o nosso lugar (Jo 15:19, 20)? Como Ele, somos peregrinos e forasteiros nesta terra (1 Pe 2:11), e nossa pátria está nos céus (Fp 3:20). Nosso lugar é Nele. Graças a Deus! Misterioso é o amor de Cristo: por sua morte, nos trouxe a vida; por sua rejeição, nos trouxe acolhimento.

Podemos nos achegar confiadamente a Cristo e provar de Sua bendita presença, que supre todas as nossas necessidades por um lar. Tenha-O como Lar, chame-O de Casa. E, se você está distante, corra para lá agora!

Baseado em The Sparrow and the Swallow, do livro Classic Counsels, de Charles Spurgeon.

Leia também: Uma mulher chamada Dâmaris , texto baseado no mesmo livro.

 

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