Em 28 de abril de 1988, o vôo 243 da Aloha Airlines de Hilo a Honolulu estava prestes a se tornar um dos acidentes mais famosos da história da aviação. A cerca de 7300 m de altitude o vôo seguia tranquilo quando, de repente, parte da estrutura da primeira classe foi arrancada deixando um rombo de quase 6 m de comprimento (foto) na fuselagem e dezenas de passageiros ao ar livre. Apesar daquelas condições o piloto conseguiu pousar a aeronave num aeroporto próximo havendo apenas uma vítima, uma aeromoça que havia sido sugada para fora.

Investigações revelaram que o acidente havia sido causado por fadiga mecânica, um processo que leva uma estrutura a se fraturar por meio de forças relativamente pequenas, mas repetitivas. Essas forças, oscilando sobre a estrutura fazem com que pequenas trincas se propaguem. Elas vão aumentando e se juntando até causar um grande dano. No caso do vôo da Aloha as constantes operações de pouso e decolagem nos vôos curtos que faziam pelas ilhas do Havaí aumentavam as tensões sobre a estrutura da aeronave que já estava com idade avançada. Além disso, a falta de manutenção adequada e a corrosão causada pelo ambiente marítimo foram fatores que contribuíram para o acidente.

Após este evento estabeleceram-se regras de manutenção e inspeção mais rígidas e os estudos desse fenômeno continuaram, principalmente para a área aeronáutica. Semelhantemente, em nossa vida espiritual precisamos estar constantemente examinando a nós mesmos (1 Co 11:28) e reparando falhas, tomando bastante cuidado com pequenas coisinhas que podem crescer e causar grandes problemas.

O projeto

Fomos criados para receber Deus, serví-Lo e glorificá-Lo, porém, por causa da queda temos condições adversas para cumprir esse propósito: temos o mundo e o pecado a nossa volta. Essas condições adversas de operação requerem uma inspeção e manutenção constante.

A forma de operação

A vida do Senhor em nós é a vida que vence o mundo, é a vida que pode servir ao Pai. Mas, ela deve ser mantida, deve sempre brilhar, mesmo que fatores do ambiente a tentem apagar. A comunhão individual com o Senhor é extremamente importante para nosso funcionamento correto. E também a comunhão coletiva, a vida de igreja. Fomos projetados para operar assim e, só assim, chegaremos ao destino, o próprio Cristo. Mas, é necessário tomar cuidado com alguns fatores que podem lentamente causar dano a nossa vida espiritual.

As dúvidas

Dúvidas ficam martelando nas mentes de muitos cristãos. Alguns têm dúvidas quanto a questões de interpretação da Palavra, outros quanto a questões mais comportamentais, mais práticas. É normal ter dúvidas, estamos em constante aprendizado e, para algumas questões da vida só naquele Dia teremos a resposta. Penso que para lidar com dúvidas nós precisamos de: fé, paciência e sinceridade.

  • : crer e confiar em Deus mesmo com dúvidas. A fé espera contra a esperança (Romanos 4:18). Para ter a fé fortalecida é preciso ler a Palavra (10:17).
  • Paciência: nem todas as coisas têm respostas imediatas. Especialmente porque nós mesmos precisamos muitas vezes estar preparados para entender certas coisas e isso pode levar tempo.
  • Sinceridade: é surpreendente como as dúvidas ainda persistem, e como nós ainda somos tímidos em revelar as nossas inquietudes para Deus e para os próprios irmãos. Precisamos ser abertos com Deus e com os nossos companheiros espirituais compartilhando o que estamos passando, buscando irmãos experientes que possam nos ajudar. Ás vezes, a dúvida pode ser algo bem simples de resolver que não precisa ser guardada por muito tempo.

Ressentimentos

Infelizmente, há muitas pessoas que até mesmo deixam de congregar por causa de ressentimentos com algum irmão. É estratégia do Maligno causar discórdias entre irmãos para atrapalhar a obra de Deus. Qualquer que seja, o problema ou desentendimento, deixar de congregar parece bastante inadequado considerando o fato de como viemos para a Igreja. Um alto preço foi pago, para que nos tornássemos parte da família de Deus, ele mesmo nos colocou nesse viver de igreja. Não estamos ali por causa das pessoas. A ordem é não deixar de congregar (Hebreus 10:25).

Olhar para Ele nos faz deixar de olhar para os problemas de alguma pessoa, nos dá paciência e amor, o amor que não se ressente do mal (1 Coríntios 13:5). Não podemos deixar de viver nesse amor. Se há algum problema difícil de lidar, busque outros irmãos para comunhão, irmãos maduros.

“Nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados” (Hebreus 12:15)

O amor ao mundo

As influências dos padrões do mundo, o sistema que odeia o Senhor Jesus (João 15:18) e que está a nossa volta podem corroer pouco a pouco nossa vida espiritual. Devemos nos vigiar, constantemente, para que distrações não roubem o tempo do Senhor em nossas vidas, para que os vícios e as ideias incompatíveis com a Palavra não venham nos influenciar desgastando-nos pouco a pouco. Estaremos protegidos se tivermos uma base firme na Palavra e uma forte comunhão com o Senhor. Nossa atitude para esse sistema deve ser inflexível (Tiago 4:4), não pode ser emocional.

Protocolos de segurança

É importante, também, seguir os protocolos de segurança para o voo. Nossa vida não pode ser “operada” de maneira insegura. Precisamos, pela Palavra e pela oração, conhecer os nossos limites. E não para viver nos limites, mas a uma distância segura deles. As estruturas de uma aeronave, por exemplo, são construídas de forma a resistir a tensões maiores do que aquelas que se espera enfrentar, tido como: “um fator de segurança”.

Temos perfeita paz se vivermos por propósitos (Isaías 26:3) e não por sensações. Para chegar de maneira segura ao nosso destino precisamos conhecer a nós mesmos e ter autocontrole (1 Coríntios 9:25-27). É por conhecer a Deus que temos domínio próprio, que é fruto do Espírito (Gálatas 5:23). A operação de uma aeronave é assunto de grande responsabilidade. A maneira como levamos nossa vida, também, não?

Escrito com a colaboração de Marina Nascimento

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