Nós amamos a mensagem da Cruz. Além da beleza impressionante do amor exposto num ato histórico tão inconcebível, admirado até por aqueles que não O conhecem, na Cruz, a morte foi tragada pela vitória (1 Coríntios 15:54-57). Em Cristo Jesus crucificado, desfrutamos da nova vida que fluiu Dele mesmo (João 19:34; 6:38-39).

Essa vida gerada na Cruz não é uma simples inspiração provocada por um fato, ou ainda uma devida gratidão a pessoa que o realizou, não é um evento que ocorre quando acreditamos no sacrifício de Jesus, é um viver gerado pela morte e ressurreição de Jesus Cristo que nos permite desfrutar de tudo que Ele é. Assim, não se trata de um ponto, mas de uma longa trajetória. Não é uma história contada, mas uma realidade acessível, por meio do espírito (1 Coríntios 6:17), que se estende de eternidade a eternidade. E para desfrutarmos dessa vida, precisamos aplicar a experiência da morte de Cristo em nossas vidas.

“A morte da cruz é diferente de qualquer outro tipo de morte. Esse tipo de morte é o mais lento e doloroso. Portanto, se nós verdadeiramente nos reconhecermos mortos e tomarmos a cruz do Senhor como a nossa própria cruz, será doloroso e mísero no que diz respeito a nossa carne. O Senhor Jesus ficou pendurado na cruz por seis horas antes de morrer; Sua morte foi muito lenta. Em nossas vidas, as experiências de co-crucificação pertencem geralmente a esse período de seis horas. Quando o Senhor Jesus estava na cruz, Ele tinha o poder para descer se quisesse. O mesmo é verdade para aqueles que são crucificados com o Senhor. Sempre que alguém permite que seu velho homem deixe a cruz, ele certamente o fará. O velho homem é pendurado na cruz quando reconhecemos a sua morte. Se mantivermos a atitude na qual o velho homem está morto, ele estará tão sem poder como um morto. Mas, uma vez que uma pessoa relaxa, o velho homem será ativado. Muitos filhos de Deus perguntam porque seu velho homem continua ressurgindo. Eles esquecem que a morte de cruz é uma morte lenta.” [Texto retirado do artigo “A palavra da cruz” de Watchman Nee].

Quando vivemos segundo a carne e não segundo o Espírito, quebramos a nossa comunhão com o Senhor, voltamos a viver pelo nosso velho homem e perdemos o poder operante da eficácia da morte de Jesus Cristo (Romanos 6:5-11, 8:5). Deixamos, assim, também, o gozo da vida de ressurreição resultante da união com o Senhor.

Por vezes, impacientes com a espera de uma lenta morte, perturbados com a influência das vozes dos que assistem de fora, escandalizados pelo contraste aos costumes do mundo, humilhados e inquietos em nossa alma de grande ego e, embebidos de vontade de fugir da Cruz em busca do prazer descomedido e da promessa vazia de ausência de dor e sofrimento longe da Cruz, desapercebemo-nos que essa fuga nos leva pra longe do próprio Cristo e do deleite da sua presença.

Se nós verdadeiramente amamos o Senhor e queremos agradá-Lo, se temos o prazer em Sua presença e é com tristeza que vemos Sua distância e aquilo que O entristece, o nosso prazer estará em unir-nos a Ele em Sua Cruz. Abandonamos todas as reivindicações interiores e exteriores por amor de nosso Amado, e as levamos a Ele mesmo.

Passamos a nos considerar mortos, crucificados com Cristo Jesus, mas muito vivos para Deus, estando mesclados com Cristo Jesus! Vivemos cada situação pela fé no filho de Deus (Gálatas 2:19-20), que, na verdade muito nos ama, e se entregou por nós, para nos ter perto!

Devemos ter a clara percepção de que a Cruz é a nossa proteção. Quando estamos unidos ao Senhor em Sua Cruz, nossos perigosos pensamentos, considerações, emoções e vontades são exterminados, dando lugar apenas aos que ressurgem com o Senhor!

Nem mesmo as informações sobre Deus, ou o afago da religião, ou ainda o orgulho das boas ações se comparam a doçura e ao esplendor da Sua presença. Se o nosso coração arde pelo Senhor, devemos correr desesperadamente para a Cruz, atendendo a esse gritante chamado de amor, rejeitando qualquer tentativa de nos remover desse lugar. 

Que possamos ver que o caminho para cumprir o plano de Deus revelado a nós é uma vida de Cruz. O próprio Senhor Jesus não foi à cruz apenas no período de sua crucificação física. Antes, Ele se entregou a uma vida de obediência, levando todos os seus pensamentos, sentimentos e atos cativos à cruz.

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Filipenses 2:5-8).

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