Quando nos tornamos cristãos somos chamados a nos santificar (1 Ts 4:7), isso significa ter um viver diferente do comum. O cristão valoriza coisas que antes não valorizava  e deixa de se alegrar com coisas com que se alegrava antes.

É diante desses momentos de escolhas que podem surgir alguns questionamentos, como estes:

“Tenho certeza que Deus é bom para os que têm coração puro. Quanto a mim, quase tropecei; meus pés escorregaram e quase caí. Pois tive inveja dos orgulhosos quando os vi prosperar apesar de sua perversidade. Levam uma vida sem sofrimento e têm o corpo saudável e forte. Não enfrentam dificuldades, nem estão cheios de problemas, como os demais. Ostentam o orgulho como um colar de pedras preciosas e vestem-se de crueldade. Seus olhos cobiçam sempre mais, e o coração vive cheio de más intenções. Zombam e falam somente maldades; em seu orgulho, ameaçam usar de violência. Falam como se fossem donos dos céus, e suas palavras arrogantes percorrem a terra. Por isso, o povo os admira e bebe todas as suas palavras.

— O que Deus sabe? —perguntam.

— Acaso o Altíssimo tem conhecimento disso?

Vejam como os perversos desfrutam de uma vida tranquila, enquanto suas riquezas se multiplicam.

Foi à toa que mantive o coração puro? Foi em vão que agi de modo íntegro? O dia todo só enfrento problemas; cada manhã sou castigado.

Se eu tivesse falado como eles, teria traído teu povo. Tentei compreender por que prosperam; que tarefa difícil!”.

Esses questionamentos se parecem com alguns que você tem feito? Você não foi o primeiro a fazê-los. Asafe, um sacerdote, fez essas perguntas a Deus uns 3.000 anos atrás em seu Salmo 73. Claramente essas questões têm intrigado os servos de Deus a milênios.

Sim, se mantivermos o coração puro esperando algo em troca nesta vida, será em vão! Eu que cheguei a essa conclusão? Não. Asafe mesmo nos conta sua descoberta nos versículos seguintes. Ele olhou para a eternidade, na qual encontrou essa resposta. Paulo nos diz em 1 Coríntios 15:19 que se nossa esperança se limita a essa vida, então somos os mais miseráveis dos homens. E é esse o grande ponto: enquanto tentarmos medir as recompensas dessa terra por um viver que agrada a Deus a conta não fechará. Nós cremos no que é eterno!

Nós cristãos não buscamos a santificação para nos livrarmos do inferno, mas porque fomos libertos dele! Como aquele escravo que ama a seu Senhor e diz que quer permanecer em sua casa (Êx 21:5). Ser um cristão verdadeiro é ser tão apaixonado por Cristo a ponto de correr a carreira para ver a alegria do Mestre em nos entregar o galardão. Nós cristãos nos santificamos porque cremos que a alegria dessa terra dura alguns anos, mas o que Deus tem preparado na eternidade excede nosso entendimento.

E isso não significa ter um viver triste nessa terra, pelo contrário, temos a oportunidade de desfrutarmos a alegria plena todos os dias!

Percebi, então, que meu coração se amargurou e que eu estava despedaçado por dentro. Fui tolo e ignorante; aos Teus olhos devo ter parecido um animal irracional. E, no entanto, ainda pertenço a ti; tu seguras minha mão direita. Tu me guias com teu conselho e me conduzes a um destino glorioso. Quem mais eu tenho no céu senão a ti? Eu te desejo mais que a qualquer coisa na terra. Minha saúde pode acabar e meu espírito fraquejar, mas Deus continua sendo a força de meu coração; ele é minha possessão para sempre. Os que te abandonam perecerão, pois destróis os que de ti se afastam. Quanto a mim, como é bom estar perto de Deus! Fiz do Senhor Soberano meu refúgio e anunciarei a todos tuas maravilhas” (Sl 73:21-28).

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