Sentadas perto uma da outra, duas jovens começaram a abrir seu coração, a contar as suas histórias e o que Deus tinha feito em suas vidas. Enquanto falavam, tudo passava a fazer mais sentido. Histórias tão diferentes, mas conflitos tão parecidos. Em cada detalhe, confirmavam que tinham um Deus soberano que cuidava de tudo. Já não havia espaço para a ansiedade.

Depois da conversa que tiveram naquele dia, combinaram de escrever uma série sobre a experiência de estarem vivendo a fase de cursinho, pré-vestibular e provas de admissão para cursos superiores. Iriam escrever antes que os resultados de uma prova importante fossem divulgados. No entanto, foram surpreendidas por uma antecipação na divulgação do resultado das provas. Teriam, então, menos tempo para escrever.   

Independente disso, todos os dias, lembravam de quem era Deus; que Ele é soberano, conhece a história delas e cada um dos seus conflitos; que a vontade Dele é sempre boa, perfeita e agradável; e que, quando se vive com Deus, sempre se vive feliz e abençoado. Elas confiavam no Grande Amigo e na vontade Dele.

Assim nasceu esta série, que é escrita pela Radmila e pela Ana Rosa. Daqui em diante, elas falarão juntas, mas também separadamente. Vamos começar por uma apresentação, que tal?

Meu nome é Radmila, sou “vestibulanda” de medicina e estou tentando ingressar em uma universidade federal há dois anos (esse tempo inclui estudos sozinha e em cursinho). Fiz um ano de missões no Brasil e no exterior após meu ensino médio, e foi nesse período que o Senhor confirmou meu desejo de fazer esse curso.

Meu nome é Ana Rosa, há dois anos (incluindo terceirão e cursinho) presto vestibular em universidades públicas para Direito. E em cada pequeno detalhe, o Senhor foi me aconselhando sobre qual curso escolher. Esse versículo, por exemplo, sempre falou fortemente comigo:  “Abre a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados. Abre a boca, julga retamente e faze justiça aos pobres e aos necessitados” (Pv 31:8-9).

Queremos discorrer um pouco a respeito de nossas experiências pessoais e como o Senhor até aqui tem nos ajudado. Nesta série não teremos textos sobre conquistas, mas sim sobre como crer sem que os olhos vejam. Afinal, é mais fácil falar sobre vestibular quando se alcança vitória e tudo fica no passado. Confessamos: ao escrevermos esta série, estamos tão perdidas quanto qualquer vestibulando: ainda não fomos aprovadas, nem reprovadas, estamos no meio do caos, sem entender muitas coisas que aconteceram.

Mas há um Deus que cuida de nós e queremos contar como Ele fez todas as coisas cooperarem para o nosso bem (Dt 8:16b).

Ao contrário do senso popular, vestibulares não se resumem aos dias de prova. Em uma cadeira de vestibular, o estudante não senta sozinho. Junto a ele estão os pais, a família, professores, cada centavo investido, cada hora de estudo, amigos, companheiros e o principal: seu Deus e a relação desse estudante com Ele. Antes há um período doloroso e angustiante de preparo. Existem as tensões, desafios que a prova em si oferece e a espera – que parece eterna – dos resultados. Além disso, tais resultados nem sempre são os esperados. Na verdade, são até o motivo de muitas dúvidas quanto à capacidade pessoal e do poder do Senhor na vida de quem está nesse processo.

Ana:

Começo a lembrar do meu terceiro ano. Ali ouvi de amigos, professores e diretores que eu era boa e iria passar. Por isso e por achar que eu era suficiente, passei a confiar na minha capacidade. Dizia me apoiar na vontade de Deus, mas porque pensava que com certeza seria a mesma que a minha. Desejava passar do terceiro ano direto para o curso superior de Direito, na tão sonhada USP, e nutria um certo desprezo pelo cursinho. Entretanto, Ele disse “não é esse o tempo nem o modo” (Ec 8:6), e no meu primeiro ano prestando vestibular, não fui aprovada nem mesmo nas minhas outras opções. Ele tem um plano e uma comissão para mim, isso é certo, mas Ele não permitiu que eu vencesse confiando em mim mesma. Para Ele, importava mais o crescimento que a aprovação. Sem compreender os planos de Deus, o meu coração se frustrou. Decepcionada, por confiar no que os outros pensavam sobre mim, fiquei perdida. Fui humilhada pela poderosa mão de Deus para que em tempo oportuno Ele pudesse me exaltar (1Pe 5:6). A frustração e o medo foram embora quando Ele me ensinou a não confiar em meus sentimentos, mas no Espírito do Deus soberano, no Eu sou. E ainda, independentemente da minha capacidade, Ele é o Eu sou da minha vida, em vez de mim.

Hoje, apesar de tudo parecer claro, não se engane. Por vezes me senti confusa, magoada com Deus, tal como uma criança que chora e só sabe dizer “eu quero”. Tanto na vida humana, como na vida espiritual, ninguém cresce só ganhando e fazendo o que deseja. Ainda assim, por não perceber isso, em muitos momentos no cursinho me senti presa no tempo, sentia saudades do passado, quando tudo era mais leve, e almejava um futuro brilhante. Mas sem poder voltar no tempo, eu estava aprisionada naquela vida que eu não havia escolhido para mim. Só o meu melhor Amigo poderia salvar-me de toda aquela frustração, porém, Ele precisava que eu me rendesse e tomasse posição:

“Vocês não precisarão lutar nessa batalha. Tomem suas posições, permaneçam firmes e vejam o livramento que o Senhor dará” (2 Cr 20:17a NVI)

Quando abri meu coração e disse “eu não consigo e eu não quero passar por isso”, Ele não me tirou a provação, mas me deu a paz de saber que aquela era a Sua boa, perfeita e agradável vontade.

Rad:

Para mim, foi um desafio muito grande assumir que é preciso estudar independentemente de seu nível intelectual ou notas. Eu me iludi muito com a aprovação em matérias na escola ou ir bem em simulados de cursinho e na internet. Com o tempo, entendi que isso não é ter o domínio do conhecimento. Ter facilidade de aprender não significa que você não precisa estudar e se esforçar para memorizar a matéria. Talvez, assim como eu, você só tenha provado disso em provas de vestibulares. Sempre há o que aprender, ainda que seja uma matéria revisada diversas vezes. O orgulho constrói uma barreira psicológica ilusória e com falácias quer convencê-lo de que não há necessidade de se esforçar tanto. Tal qual o jovem rico, o orgulho acaba por nos consumir e se torna um empecilho para o nosso desenvolvimento, seja ele humano ou espiritual (Mt 19:16-22; 1Tm 6:17). Assim, continuamos a mentir para nós.

A verdade é esta: o Senhor precisa de servos humildes e fiéis (Mq 6:8; Mt 25:23). Talvez esteja pensando que esse posicionamento orgulhoso nos estudos e a necessidade de servos humildes do Senhor sejam fatores dissociados. Contudo, entendi que não se trata apenas de passar ou não no vestibular, mas que cada momento em nossa vida é para Ele nos aperfeiçoar (Hb2:5-10). Em vista disso, sendo filhos de Deus, como um pai ao educar seus filhos, Ele levará o tempo que for preciso e cada situação que vivemos para nos tornar humildes e fiéis ao que nos for confiado (Fp 1:6), com o fim de nos fazer crescer até a estatura de Cristo (Ef 4:13).

Dessa maneira, Ele permitirá a ocorrência de decepções e diversas complicações, como: a falta de organização do nosso tempo; ceder às nossas vontades mais do que nos restringirmos a dedicar o nosso ser ao estudos; e até a entrega integral à esfera estudantil, ocasionando o relaxo na vida espiritual. Esses são alguns dos erros comuns na nossa vida de estudante, os quais Deus permite estarem presentes até que nossas forças se esgotem e nosso ser se abra para que nos tornemos mais parecidos com Ele (Mt 5:48). Sim, no momento de preparação, diversas angústias nos sobrevêm e o âmbito psicológico pode ficar desolado. Isso nos leva a questionar a bondade do Eterno diversas vezes. Todavia, é preciso lembrar de que o nosso Deus é o Deus da paz e deseja apenas o nosso bem (Rm 8:28).  Não importa quanto tempo esse processo de reprovação e preparo até a aprovação vai levar, o que realmente importa é que o ânimo e a paz necessários para passarmos por tudo venham Dele. Como um verdadeiro Pastor, o Senhor nos conforta e nos leva a caminhar de modo adequado novamente, não isentos de nossas consequências, mas fortalecidos pelo Cristo que é dado a nós como a força para prosseguir.

Esse foi só o começo da nossa história, continue acompanhando essa série na qual contaremos sobre o cursinho e o grande dia da prova. Compartilhe o texto, para que essas palavras possam chegar a muitos. Curta e comente também, para que possamos saber que você é um conosco.

“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.” (Is 64:4)

 

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