Chegamos a última parte da entrevista com o casal Marco e Majô, agora com o tema: noivado.

Caso não tenha lido ainda, confira o ínicio da entrevista com os temas: espera e namoro.

Eles nos ajudaram a ver o lado humano de um relacionamento.

Jesus viveu 30 anos como homem, experimentou o que é ser homem. E lá no final, nos últimos três anos e meio, que exerceu seu ministério. A questão é muito mais humana que espiritual e vimos isso na experiência deles.

Recapitulando:

Marco, 56 anos, nascido em São Paulo – SP e crescido em Poços de Caldas – MG, é formado em letras e hoje dedica o tempo todo para cuidar das coisas da Igreja.

Maria José, mais conhecida como Majô, tem 55 anos, é nascida em Barretos – SP e é odontopediatra.

Estão casados há 26 anos, namoraram por um ano e quatro meses, sendo a maior parte namoro a distância. Moram em Sumaré – SP e têm dois filhos, com 24 e 22 anos.

Obs.: Toda vez que mencionarmos a palavra: NAMORO estaremos nos referindo ao relacionamento cristão entre um irmão e uma irmã com vistas ao casamento (para não gerar dúvidas).

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… PROSSEGUIMOS …

Eu vos Escrevi: Quais são os pré requisitos para casar?

Majô: Emprego, possibilidade de viver independente dos pais, principalmente.

Marco: E estar consciente de que vai haver dificuldade de de adaptação e dificuldade financeira. É parte do pacote. Essas duas coisas sempre vêm.

Adaptação, porque, por mais que se conheçam, você nunca morou junto.

E a financeira, porque, antes você cuidava de si próprio, agora você tem alguém mais de quem cuidar, antes você podia abrir a geladeira e comer tudo e seu pai ia lá e comprava de novo, e agora é você que compra. Você simplesmente falava: ‘Não tem nada?’ Não, não tem. Agora você fala: ‘Não tem nada?’ Não, não tem, e não vai ter se você não trabalhar e ganhar dinheiro. Então agora você é o provedor. E isso faz diferença!

No caso da Majô não, ela já administrava a casa, porque era só ela e a mãe. Mas no meu caso, eu só ajudava meus pais: pagava luz, água, telefone e combustível la em casa, mas só.

Majô: Mas, quando você casou, você já morava sozinho.

Porque a maioria dos jovens sai da casa dos pais e já vai direto para o casamento. Então é muita mudança, porque tudo aquilo que você ganhava era para comprar uma coisinha aqui, uma calça jeans de marca ali; agora tem tanto que pagar que não sobra nada, não é? Porque quando você é jovem, você não tem um salário assim… é difícil. Pode até ter: uma pessoa arrumou um emprego bom e quando casa já está ganhando rios de dinheiro… mas é raro. Então existe essa adaptação financeira também.

Marco: Principalmente saber que você já não é um, que você agora tem outra pessoa sob sua responsabilidade: você agora se expandiu, agora são dois.

Eu vos Escrevi: Vamos supor que vocês não tiveram esse período, ou tiveram esse período, mas, quando estavam na casa dos pais, tinham um padrão de vida muito alto, não necessariamente luxuoso, mas aquilo que você queria, uma coisa melhor, empregada doméstica, aquela calça jeans de marca, as tecnologias novas… Aí o salário, já “cai”, você tem que abrir mão disso, e aí?

Majô: É um choque.

Marco: É um choque, se a pessoa não estiver consciente. Porque o que acontece é que muita gente casa sem ter a percepção que se casou. Continua comprando as coisas de marca que comprava antigamente, e acha que o dinheiro é só pra ele, as dívidas sobem rapidamente, e isso dificulta, isso influencia negativamente demais o relacionamento dos dois. Aí começam as acusações: ´Você comprou aquilo’, ‘Ah, mas você também comprou aquilo’, então, parece, os dois não perceberam que são um.

Eu vos Escrevi: Vamos considerar assim: A pessoa que já começou a trabalhar, já tem uma casa, está pagando aluguel, as contas da casa, vai casar com uma pessoa em situação semelhante. Quando casarem, já não vão estar mais pagando dois aluguéis, duas contas de água… em teoria, era para os gastos diminuírem, onde que essa teoria está falha?

Majô: Não, nós estamos falando de os dois saírem da casa dos pais, mas se já moram sozinhos, vai aumentar a renda, com certeza.

Eu Vos Escrevi: Como, por exemplo, um jovem que não more com os pais, mas seja sustentado por eles…

Marco e Majô: É, isso.

Majô: É… porque casou acabou, ? Seus pais, com certeza, quando você casar, vão ajudá-lo até aquele dia, depois daquele dia você terá de se virar. Esse é o certo. Porque você também tem de amadurecer! Conosco aconteceu isso: ralamos, ralamos, para conseguir ter uma casa, uma carro, e também não precisa mais do que isso. Mas aí é que entra você estar disposto. Por isso, quando você pensar em casar, terá de ver se, com o salário que você vai ganhar, vai conseguir viver independente dos pais. Eu acho que esse é o momento certo [de casar].

Marco: É.

Majô: Eu conheço um casal muito jóia: os dois já estão formados, mas com o que ganham não dá para casar. Eles moravam em cidades diferentes, ele já está trabalhando na cidade em que ela mora com os pais, ela também já tá trabalhando, mas quando somam os dois salários, não conseguem pagar: aluguel, água, luz… não dá. Eles precisam trabalhar mais um pouco,  aumentar a receita, ter um emprego melhor…

Marco: Talvez investir um pouco mais em qualificação, estudar mais um pouco, coisas assim.

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Eu vos Escrevi: Que é o noivado, ele consiste em quê? É um período diferente em si?

Marco: Nós não tivemos noivado. Para nós sempre foi o mesmo compromisso.

Eu vos Escrevi: Existem cursos de noivos. No nosso meio isso não é praticado. Por que buscar ou não buscar isso?

Marco: Acho que é bom buscar, não talvez um curso de noivos, mas existem muitos livros, escritos por pastores…

Majô: Nesses cursos você também vai aprender administração financeira… quanto mais informação melhor.

Marco: Existem muitos livros que são muito bons. E eu aconselho a ler. Nós lemos alguns…

Eu vos Escrevi: Poderia dizer o nome?

Marco: … O ato conjugal… já faz 26 anos, eu não lembro muitos.

  • Indicação do Eu vos Escrevi: “O que não me contaram sobre casamento” – Gary Chapman

Eu vos Escrevi: A administração financeira –  é importante administrar isso junto ou é melhor separar?

Majô: Nós temos salário da família.

Marco: O nosso é junto.

Majô: E quem administra sou eu, porque ele esquece.

Marco: É… ela é boa com isso e eu sou um caos.

Majô: Ele esquece tudo, ele perde tudo…

Marco: Esqueço tudo, números, esqueço as datas…

Majô: …não paga o que tem de pagar.

Marco: …esqueço tudo, e ela cuida de tudo, coitada.

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Eu vos Escrevi: Conhecemos famílias, em que é normal entre pai e filho pensar: ‘ah esse dinheiro é meu…’, mas entre o casal isso também pode acontecer: óh, o dinheiro é meu, vou dar tanto pra casa, o resto eu vou gastar…´’

Majô: Ah, isso dá problema depois hein… eu acho.

Marco: Isso não deveria existir nunca, porque como é que você consegue ser um, deixar pai e mãe, os dois se tornarem um só, mas metade desse um quer ser um inteiro.

Majô: Na família, quem administra pega os dois salários, juntos. Há algumas coisas que pagamos com o que ele recebe, outros itens pagamos com o que eu recebo, mas a  administração é uma só. É mais fácil você pensar assim: tal item eu sempre tiro do salário tal, outro item eu sempre tiro do salário tal. Se não vira um bolo. Há contas que são fixas, então, se você tirar sempre daquele salário, sempre no mesmo dia em que vence a conta, fica mais fácil administrar.

Eu vos Escrevi: Talvez seja mais fácil saber se você está gastando mais com alimentação, se aumentou o gasto, um controle…

Majô: O que a gente faz é assim: eu gostaria muito de comprar isso para mim, quê você acha?

Marco: Uhum.

Majô: Às vezes ele pode falar assim: ‘não está na hora ainda’. Mas depois de 26 anos de casados, você sabe se está na hora ou não tá, entendeu? Às vezes você abre mão, porque você vê que há outras coisas que têm prioridade.

Marco: A gente faz assim: ‘Olha, quando puder eu vou comprar tal coisa’, e fica na fila…

Eu vos Escrevi:  Vocês têm uma fila?

Marco: De prioridades.

Majô: E, se aparecer uma coisa mais urgente, a outra vai para o fim [da fila].

Eu vos Escrevi: Vemos que hoje vocês já têm esse conhecimento mútuo, mas e no início, como que foi?

Majõ: No início foi mais ou menos assim também, ?

Marco: Foi. Foi porque já éramos mais velhos também.

Majô: Por isso, é bom casar um pouco mais maduro. Muitas vezes, se for um jovem de 18 anos com uma menina de 17, não vão priorizar o aluguel, entendeu? Não vão.

Marco: Porque ela ainda vai querer andar na moda, do jeito que andava antes, só que antes ela era financiada pelos pais. Agora não, agora ela vai ter de abrir mão, ou por si mesma ou pelo marido, aí não tem jeito.

Majô: Por isso, a gente conversou sobre a hora certa, acho que, a parte humana estando amadurecida, é muito mais fácil lá na frente.

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Eu vos Escrevi: Uma leitora enviou: “eu decidi dar meu primeiro beijo no casamento, essa foi uma aliança minha com Deus, mas e se ele discordar? Se ele quiser dar o primeiro beijo antes do casamento? Mas o compromisso foi um pacto com Deus…”

Marco: Os dois precisam conversar e chegar a um acordo.

Majô: Nesse caso nosso, facilitou porque a gente ficou longe um do outro muito tempo e, quando ficou perto, já casou. A gente não teve esse período, essa dificuldade. Então, a gente não vai saber responder.

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Eu vos Escrevi: Outro leitor enviou: “Como agir se não consegui cumprir essa parte da espera? Eu me reúno desde criança e sei que isso é pecado e que cometi um erro gravíssimo perante o Senhor. Mas, agora que já aconteceu, como devo proceder? Porque me sinto sempre em condenação, o tempo todo.

Marco: Deve estar se referindo a sexo antes do casamento. Se foi só uma vez, você pode considerar isso um tropeço. Você se arrepende, pede perdão, o Senhor perdoa e você segue em frente. Agora, se vive nessa situação, está em pecado, e essa condenação, esse sentimento, é resultante disso. É preciso ‘ir e não pecar mais’ (Jo 8:11), isto é, parar com a prática do pecado antes do casamento. Se não conseguem, precisam casar para não continuar em pecado.

Eu vos Escrevi: Mais uma de leitores: “Como podemos deixar de ter contato sexual se sempre estamos juntos e sozinhos?

Marco: Não dá, ? Não podem ficar sozinhos. Precisam evitar situações que conduzam ao pecado.

Majô: Esses pais também estão bobeando!

Eu vos Escrevi: Essa mesma pessoa pergunta: “Como lidar com o ciúme?” Vocês têm ciúme entre vocês?

Majô: Não. Nenhum. Se eu fosse ter ciúme, estava perdida, porque o tanto de irmã que liga para ele, manda WhatsApp… Às vezes eu olho e ele está numa rodinha de irmãs… Eu não tenho ciúme e ele também não tem de mim.

Marco: O ciúme é resultado de egoísmo e de falta de confiança, principalmente.

Majô: Acho que é mais falta de confiança em si mesmo do que no outro, talvez.

Eu vos Escrevi: Ou insegurança.

Marco: É, isso. Então, de novo, a gente entra naquela questão: se você crê que é o Senhor que está cuidando de tudo, você não precisa disso. Ciúme não tem espaço aí, não há lugar para ele.

Majô: Mas também pode ser que a pessoa tenha vivido um momento na vida que a deixou insegura em relação a outras pessoas. Ela pode até ter certeza que é do Senhor, mas isso é uma coisa que machucou sua alma e ela fica… não sei… é vida da alma.

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Eu vos Escrevi: De outro leitor: “Não quero casar com ninguém, quero servir ao Senhor até a volta Dele, pois relacionamentos são complicados. Tenho sentimento por uma pessoa, mas não quero pensar nisso. É errado ter esse tipo de pensamento?”.

Marco: Nem todo mundo tem graça suficiente para ficar solteiro.

Majô: Paulo era um.

Marco: Paulo teve essa graça, mas não é qualquer um que a tem. E, se essa pessoa quer servir ao Senhor porque ela não consegue se relacionar com quem ela quer se relacionar, a motivação está errada.

Majô: Ela está desistindo porque não está conseguindo o que quer: a pessoa que ela quer. Então ela vai só servir o Senhor. Mas não é que ela não queira se envolver com nada que a distraia do serviço ao Senhor. Ela continua buscando a própria vontade, não busca cumprir os planos do Senhor para vida dela.

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Eu vos Escrevi: Voltando àquelas perguntas de relacionamento sexual (é complicado): “Até que ponto devo revelar meu passado? Qual a hora certa de fazer?” A pessoa já teve uma relação sexual por um período, como a gente já tinha falado, mas agora mudou de vida, entrou num relacionamento com uma pessoa que o Senhor deu, está tudo dentro do padrão que conversamos até agora… qual é o momento e como contar que não é mais virgem?

Majô: O mais rápido possível. Tem de contar. Eu acho.

Marco: Porque se o outro descobrir depois por outras maneiras, ou até mesmo a pessoa depois contar, ele vai se sentir iludido. Então as cartas precisam ser postas na mesa o mais breve possível.

Eu vos Escrevi: Em uma palestra para as irmãs na conf. de Jovens, foi falado sobre isso e dito para contar no noivado.

Marco: Cada caso é um caso.

Majô: Alguns não vão ligar.

Marco: É. Uns não se importam, outros se importam muito. Conforme você vai conhecendo a pessoa, você vai sentindo se ela vai poder absorver isso ou não.

Majô: É preciso orar: “Senhor, eu preciso falar isso, quando devo falar? Senhor, me abre uma oportunidade”. E o Senhor vai abrir.

Marco: É o mais rápido possível, quando é possível.

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Eu vos Escrevi: É possível ser puro mesmo tendo perdido a virgindade?

Marco: Como é? Ah, entendi. Tudo depende de como o Senhor trabalhou isso em você. Senão, prostitutas nunca vão ser puras. O Senhor tem poder para purificar completamente.

Eu vos Escrevi: E é possível ser impuro mesmo sendo virgem?

Marco: Com certeza. A Bíblia não diz que, se você adulterar no coração, é como se tivesse adulterado? Então…

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Eu vos Escrevi: O noivado é algo já confirmado, já aceito diante do Senhor? Eu posso terminar o meu noivado?

Marco: Pode.

Majô: Melhor terminar o noivado…

Marco: Melhor terminar o noivado do que terminar o casamento, é isso aí.

Majô: Vai ficar chato, vai ser um problema no testemunho para os outros jovens, que podem pensar assim: “se não der certo, eu faço igual àquele irmão”. Mas, assim mesmo, ainda é melhor do que levar adiante.

Eu vos Escrevi: Como terminar o noivado? Mesmo processo que a gente tinha falado antes?

Marco: É. Mesmo processo.

Majô: O primeiro que tem de saber é a pessoa envolvida. Você não vai falar para outros antes de falar com ela. E pode falar: “eu tinha um sentimento por você, achei que fosse do Senhor e agora vejo que não era, então eu acho melhor a gente terminar o relacionamento”.

Marco: E diga também: ‘a culpa não é sua, é totalmente minha. O problema não é você, sou eu’.

Majô: E aí depois tem de conversar com os irmãos.

Marco: É claro que o rompimento só deve ocorrer depois de muita oração e até comunhão com irmãos mais velhos e os próprios pais talvez, para não fazer coisas precipitadas ou de forma leviana. Pois, afinal, eles chegaram até o noivado – e pelo jeito o noivado já foi precipitado.

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Eu vos Escrevi: Agora, as duas últimas perguntas.

Majô: Êêê… vocês vão voltar outra hora, mais cedo e não depois das 9 da noite, ? porque hoje não valeu.

(risos coletivos)

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Eu vos Escrevi: Quais são os aspectos da imagem de Deus que um casal expressa melhor que um indivíduo?

Marco: Agora você tem uma casa.

Majô: Edificação da casa.

Marco: Antes você era pelo Senhor, agora ‘eu e minha casa serviremos ao Senhor’ (Js 24:15) .

Majô: Até pelo aspecto físico da casa, o casamento tipifica o Senhor. Quando a pessoa está mais madura, a primeira coisa que ela quer ter é uma casa, principalmente as mulheres. O marido quer ter um carro, mas a mulher quer ter uma casa, é um sonho, entendeu? E que o Senhor quer? O Senhor quer uma casa.

Marco: Ou seja, o Senhor quer o que as mulheres querem, não o que os homens querem.

Majô: Isso! O Senhor quer o que as mulheres querem.

Eu vos Escrevi: Isso tem de escrever, viu? Fique bem anotado nesse gravador. (risos)

Majô: Então, a conquista da casa própria – minha casa, minha vida – (risos), é algo muito gostoso: vai dar uma entrada e pedir financiamento? O pai vai dar uma entrada e o filho vai pagar o resto? O casal vai pagar tudo? Nós demoramos 15 anos para pagar esta casa. E meu sonho agora é reformá-la. O Senhor é assim com a casa Dele. Ele quer edificar uma casa. Você pode ter isso como indivíduo, mas, como casal, você experimenta muito mais de perto. Agora quer reformar a casa, quero fazer um quarto a mais porque este número de quartos já não será suficiente, pois a família já aumentou, e quando vierem os filhos casados já não vai dar. Você sempre quer a família junta. Esse é o desejo do coração de Deus: a família. Esse é um aspecto que o indivíduo não tem.

Marco: Especialmente quando vêm os filhos.

Majô: O indivíduo quer uma casa, ele constrói uma casa. Com uma suíte para ele e um quarto para hóspedes, pronto, para que ele vai querer mais coisas que ele não vai usar? Então esse aspecto do casal tem a questão da casa, que o indivíduo não tem.

Marco: É isso aí.

Majô: Abrir a casa, cuidar das pessoas juntos. Visitar uma família. Ao visitar uma irmã, a irmã vai sozinha, mas para visitar um casal é muito complicado ir sozinho.

Marco: É, e como casal, você entende outro casal, como solteiro não.  Mas um casal pode ajudar um solteiro, porque já foi solteiro.

Majô: Quando você vai visitar um casal com problema, aí a irmã fala um monte de coisa do marido, e se eu for sozinha, eu vou dar razão só para ela. Não é, bem?! (risos)

Marco: E é ótimo, porque quando você vai visitar um casal com problema, você se sente a pessoa mais feliz do mundo. (risos) A gente sai da casa entra no carro, fala: “bem…”

Majô: “Eu sou feliz e não sabia, você não é chata, você é boazinha…” (risos)

Marco: ‘Você é ótima!”

(risos coletivos)

Majô: É… por aí o negócio está feio.

Eu vos Escrevi: E agora a última pergunta: Há alguma coisa que a gente não perguntou, e vocês querem falar?

Majô: Eu sinto que o Senhor nos últimos tempos, na minha vida, tem me dado muita coisa. Para muita coisa em que eu era bem fechada, o Senhor tem aberto minha visão. Recentemente a gente tem visto no Alimento Diário sobre andar no espírito. Muitas vezes, se a gente está no espírito, aquilo que parece que não é certo fica certo, entende? Eu tenho visto muito isso na minha experiência. Então o que a gente precisa fazer é andar no espírito. O Senhor tem de ser o único que nos guia. Há um versículo da leitura desta semana que fala: O Senhor pôs um espírito no homem e o sopro do Todo-poderoso o faz sábio (Jó 32:8). Então quem vai nos ensinar é o Senhor. Somos muito presos, muita ordenança, sabe… temos de seguir o espírito. Se seguimos o Espírito, ficamos livres da carne, livres de um monte de coisa. A questão do passado: qual é o momento certo de falar? Tem de seguir o Espírito. Tem de perguntar para o Senhor. Porque, se o Senhor nos dirigir, não vamos causar problema. E, se for uma hora inadequada, pode causar um grande problema.

Marco: Não há fórmula!

Majô: Não há!

Marco: Há princípios e esses princípios permanecem.

Majô: Quem é ele [a pessoa que o Senhor tem para mim]? Será que existe só um? Será que existe a pessoa certa?

Marco: Isso só o Senhor pode revelar.

Majô: Para mim o Marco foi a pessoa certa. Mas, se não fosse ele, será que haveria outra pessoa certa? Eu não sei. Eu acho que não.

Eu Vos Escrevi: Às vezes ouvimos alguém falar: “Eu casei com a pessoa errada.” Será que ele esta condenado ter um casamento infeliz para o resto da vida?

Marco: Ou ele esta colhendo o que plantou? Será que, quando casou, ele tinha confirmação dos irmãos e tudo mais? Olha, nós podemos errar em muita coisa. Pode errar até na profissão, mas no casamento, não.

Marco: Você pode errar em qualquer coisa, mas no casamento não.

Majô: Na profissão você muda e conserta. Mas no casamento é complicado. Vêm os filhos depois, não é só você que se machuca, mas machuca os filhos. Não é só uma questão espiritual, mas de família mesmo. Questão humana. Às vezes a gente espiritualiza muiito. E aquele amor, aquela “coisa”, existe só no começo. Lógico, eu amo ele, mas é diferente. Quando eu me casei com ele, achava que o amava mais do que ao Senhor, hoje não. Hoje amo mais o Senhor do que a ele. Porque logo que você casa é uma delicia, tão gostoso. Mas aos poucos as coisas vão…

Marco: Sempre me falaram isto: o verdadeiro amor vem depois, com o tempo e com a maturidade. Eu ouvi isso de vários irmãos. Então a teoria eu conhecia e, quando o tempo foi passando, me lembrei muito disso em várias situações. E é um fato mesmo. Aquilo que nós sentimos inicialmente foi muito bom para aquele momento.

Majô: E foi bom para confirmar que era a pessoa.

Marco: Mas aquele sentimento não dura e, se durasse, se fosse só aquilo, você não conseguiria passar por tudo o que tem de passar depois. Você precisa de algo mais profundo, que só vem com o tempo.

Eu Vos Escrevi: Na experiência de vocês, qual foi a questão sólida que deu isso? O sentimento inicial, por mais forte que tenha sido, não é suficiente para sustentar durante um longo tempo. Então que sustentou?

Majô: Sem dúvida é o Senhor.

Marco: É o Senhor. E eu considero que o Senhor me abençoou muito, porque sei que o Senhor me revelou que era ela e isso me norteou nestes 26 anos. Então, se havia dificuldade, se havia problema, se havia o que quer que viesse, eu falava: ‘o Senhor não mudou de ideia. Era ela naquela época, e continua sendo ela hoje. o Senhor não se enganou’. O verdadeiro sustento do casamento é o Senhor.

Majô: E não é o Senhor de uma maneira espiritual, abstrata e vaga. É o Senhor no dia a dia mesmo. Não há como desunir.

Marco: A gente não consegue mais viver separado, não se imagina vivendo separado.

Majô: Mesmo nas circunstâncias, pela vida mesmo. Não é algo, espiritual, “porque eu me volto ao Senhor”. Porque tem hora em que você não quer se voltar ao Senhor, mas você está lá.

Marco: Às vezes você até fala: “Senhor, eu não quero me voltar para o Senhor”. (risos)

Eu Vos Escrevi: Teve algum momento na vida de vocês que falaram: “Se não fosse o Senhor, eu iria desistir”.

Marco: Vários.

Majô: Mas como é algo Dele, no fim, Ele dá um jeito e a gente não desiste. Porque Ele mesmo conserta.

Marco: Tem hora que eu falo: “Senhor, eu orei, o Senhor deu, e agora o Senhor trate de resolver, porque eu não sei o que fazer”.

Eu vos Escrevi: Creio nisso porque nós, humanos, nossos sentimentos oscilam.

Marco: Sério? (risos)

Eu Vos Escrevi: Há momentos de altos e baixos.

Majô: Mas esse sentimento não muda nunca. Quando você tem a certeza.

Marco: Uma coisa que sempre me ajudou muito, os irmãos sempre falaram isso, é que não existe pessoa perfeita. Existe a pessoa que o Senhor tem para você. Então é isso. Porque muitas vezes em que você passa por certas situações, você começa a comparar: “Poxa, a mulher do fulano não faz isso, a mulher do beltrano não faz aquilo”. Mas e daí? Elas fazem muitas outras coisas que você não iria aguentar. Então uma pessoa perfeita não existe. Existe a pessoa que o Senhor deu para você. Ponto final! E, se o Senhor deu, Ele dá a graça, Ele sustenta, Ele faz tudo.

Fim da Entrevista

Aqui encerramos nossa entrevista com este maravilhoso e divertido casal, Marco e Majô Mello. Agradecemos à eles pela grande ajuda que nos foi dada por suas experiências.=

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Em nosso viver, muitas vezes, procuramos montar uma fórmula para que as coisas deem certo e aí nos tornamos religiosos. A nossa vida de relacionamento com as pessoas em geral, com nossa família, com nosso cônjuge ou futuro cônjuge, não deve ser baseada em fórmulas, mas sim, na nossa dependência de Deus.

Nosso Deus age por meio de princípios e não por meio de fórmulas ou da religião. Se formos religiosos em nossos relacionamentos, iremos fazer com eles o mesmo que os mais religiosos fizeram com nosso Senhor: vamos crucificá-los.

Ao final de toda conversa vimos que o segredo é a cada momento depender do nosso Deus para expressá-lo em nossa humanidade e reconhecer que somos humanos. E que, como seres humanos, somos limitados e temos necessidades a serem atendidas na parte humana e não apenas na espiritual.

Não existe a pessoa perfeita. Existe a pessoa que o Senhor deu para você! — Majô Mello.

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