Esse texto é a segunda parte da série “Vestibular: A Arte de Crer Sem Que os Olhos Vejam”. Anteriormente, nós apresentamos o início da nossa história e o nosso sentimento. Se você quiser ter uma ideia mais aprofundada do que estamos falando e o que nos levou a contar nossas experiências, leia o primeiro texto. Agora, vamos te contar como foi nossa experiência com o Senhor durante o período de estudos.

NO CURSINHO

Ela sente medo em cada extremidade do seu corpo. Esperou e se sacrificou por esse dia durante todo o ano. Será que as noites em claro, o café, o guaraná em pó, a saudade da família e a constante ansiedade teriam sido suficientes? Dói pensar em mais um ano de cursinho. Talvez o Senhor se esqueceu dela. Ela entra na sala de prova como que anestesiada, pensa em desistir, não há mais o que fazer, Deus não queria ajudá-la. Do seu íntimo, uma Voz diz para aquietar-se, porque Ele estava cuidando de tudo em todo o tempo. Assim, ela entende que não era a hora de se preocupar com o que fizera ou o que iria fazer se tudo desse errado. Então, ela simplesmente se agarra à paz que só o Nome do que tem poder de acalmar toda tempestade poderia oferecer.

Antes de chegar nesse grande dia, há um árduo período de preparação. Cada estudante possui uma trajetória única e ao mesmo tempo repleta de similaridades no que se refere às dificuldades e às angústias no período de estudos. É nesse contexto que se inserem a incerteza e o medo de estar realmente fazendo algo que não é tão efetivo ao estudar sozinho e os desafios no ambiente do cursinho.

Rad:

Estudar sozinha é uma responsabilidade muito grande. Passei por muitos conflitos e usei diversos métodos. O meu medo de estar sendo ineficaz e permanecer estagnada enquanto outros se tornavam cada vez melhores era um sentimento que me consumia. Em meio aos portais online, ao acompanhamento de professores e à missão de me vigiar e cobrar de mim uma disciplina e resiliência cada vez maior, cresci muito. Foi um período em que me conheci melhor e provei da realização de muitas orações que fiz ao Senhor antes de cada dia de estudos. Chegou um momento que senti que já estava na hora de encarar um sistema pronto. Comecei a orar por um cursinho e comentei algumas vezes com o Senhor a respeito de uma instituição que sempre tive o desejo de estudar (era uma vontade um tanto quanto distante, eu não achava que seria possível acontecer). Contudo, Ele me surpreendeu com o ingresso exatamente nesse cursinho pelo qual eu orava.

Estar no cursinho me ajudou muito no relacionamento com diversos tipos de pessoas. Cursos pré-vestibulares são cheios de atores. Nem sempre o que parece mais inteligente é o que realmente vai se sair melhor no vestibular, nem sempre o seu colega que dorme nas aulas é aquele que não dá valor ao curso. Nosso Senhor conseguia ver as pessoas além do que elas aparentavam e Ele está dentro de nós.  Aproximei-me de quem me ajudava a evoluir e de quem o Senhor me deu a sensibilidade de ajudar humanamente e espiritualmente. Esses ambientes são repletos de pessoas ansiosas e inseguras, a autoestima é quase sempre baixa e muitos recorrem a uma personagem para se protegerem e se sentirem melhor. Nós temos o Deus que é seguro e fiel, sejamos a coluna, o baluarte da verdade (1Tm 3:15)  em meio a esse mundo diluído. Assim, até as perguntas como “quantas você fez no simulado?” serão tão insignificantes que saberemos a resposta certa para dar e o conselho certo para quem perguntou.

Nesse período de estudos – principalmente na época em que estudei sozinha – muitas coisas foram testadas em mim. Até meu relacionamento com amigos e familiares. Nas reuniões de família, nos encontros planejados e não planejados, e até dentro de nossas casas sempre há as perguntas feitas e as subentendidas: todos os investimentos que fizemos em você e ainda não passou? Mas aquelas notas na escola eram todas falsas? Quantos vestibulares fez e não foi aprovado? Por que não desiste logo desse curso, já que não está dando para passar? Você tem certeza que isso é para você? Sua prima (primo, amigo, amiga, colega etc — e aí, meu caro leitor, pode usar sua imaginação, até mesmo o carinha que passou em quinze vestibulares e é divulgado na internet está valendo) já passou, e você? Se tivesse escolhido o curso que te falei, já estaria cursando… Com certeza há outras infinitas frases sutis e nem um pouco sutis para nos atordoar o juízo.

Nesse meio, é preciso lembrar que há um Deus maior que tudo isso e que nada, nem uma palavra proferida a você foi sem a permissão Dele. Para mim foi muito difícil lidar com esses comentários com destreza no início. Porém com o tempo eu pude experimentar da calmaria e da sabedoria que só a mente de Cristo pôde me proporcionar. Como? Eu “só” orei. Eu roguei ao Senhor pela mente de Cristo (1 Co 2:16) e a sabedoria do Único que sabe lidar com as pessoas, independente de qual foi a intenção delas ao proferirem certas coisas para mim. Afinal, foi Ele quem orou pelos que O estavam crucificando e acusando (Lc 23:34). Com o tempo, eu sentia uma restrição dentro de mim para não falar algumas coisas e paz ao falar outras (1 Jo 2:27). Confesso que ainda erro muito, mas fui firme e clara, conversei com meus pais e familiares a respeito do meu desejo pelo curso que escolhi e a minha experiência com o Senhor para chegar até onde eu estava. Em vista disso, percebo a bênção do Senhor com um apoio maior da família e a diminuição de comentários como esses  (afinal, eles sempre soltam um ou outro).

Ana:

No cursinho, aprendi quão pequena eu era. Quando eu fui fraca, Ele me fez forte (2 Co 12:10). Morando longe dos meus pais, o que eu tinha era um Deus e a vontade Dele. O medo, as frustrações, a solidão e as mentiras de Satanás muitas vezes geraram conflitos que me faziam esquecer quem eu era e quem era o meu Deus.

Nas vezes que não havia mais nada para me apoiar, Cristo e a igreja salvaram o meu ser. Fui confortada pelo Consolador e amparada por aqueles que me traziam a paz – mesmo que não entendessem o que eu passava. Ele me ensinou a lidar com a pressão e deixar que o Oleiro controlasse as coisas.

“Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos.” (Is 64: 8)

Se antes eu buscava a aprovação, passei a procurar com afinco a paz de Deus que excede todo o entendimento (Fp 4:7). Só aquela paz poderia me fazer sentar por cinco horas para fazer uma prova, encarar as dificuldades e ainda continuar inabalável (Ef 6: 13).

Ainda estou aprendendo que os pensamentos de Deus são bem mais altos que os meus e são neles que devo confiar (Is 55:8). O meu sonho era entrar na USP, mas considerei que talvez isso não estivesse nos sonhos de Deus. Orei, apesar de não querer abrir mão daquilo, eu só aceitaria o que viesse de Deus. Portanto, pedi para que Ele só me deixasse passar na USP se cursar Direito ali em 2017, também fosse um desejo Dele. Nesse ínterim, vi que os três dias da prova de segunda fase coincidiam com a Conferência de Jovens na igreja em que congrego. Assim, minha oração foi para que o Senhor não me deixasse perder a conferência se não fosse para me dar a aprovação. O plano de Deus, em resposta a cada uma dessas orações, expôs-se no dia da prova de primeira fase, considerada a prova mais difícil dos últimos anos. No entanto, não obtive a aprovação para a próxima fase, mas Ele me deixou chegar bem perto para que eu visse a confirmação do plano do Senhor. O Seu plano para aquele momento não era USP e então fui em paz para a Conferência. Confesso que alguns dias fiquei olhando para trás, para o sonho que eu havia “perdido”. Agora, porém, entendo a soberania de Deus e meu coração pode descansar em Sua boa, perfeita e agradável vontade (Rm 12:2).

Eu desejava um coração inabalável, um espírito que não fosse abafado pela minha mente, mas não posso dizer que alcancei esse estado. De crises em crises, altos e baixos, o Senhor vai fazendo todas as coisas cooperarem para o meu bem (Rm 8:28). Apesar de parecer esclarecida sobre toda a vontade do Senhor, ainda há muitas coisas que não entendo. Mas em silêncio deixo o Oleiro fazer a vontade Dele. Não há métodos, regras ou dicas que eu possa passar, mas há um Espírito que através da unção ensina-nos todas as coisas (1 Jo 2:27). Há uma vontade que é soberana e o meu coração confia nela.

VEM AÍ A PARTE 3

Essa foi mais uma parte da nossa história, continue acompanhando para saber como lidamos com o grande dia da prova. Que o seu coração confie cada vez mais nessa vontade soberana do nosso Amado Senhor.

“A tua presença é que mostrará que somos diferentes dos outros povos da terra.” (Êxodo 33:16b, NTLH).

Deixe seu comentário