Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15).

É certo que toda a igreja deve se envolver com a propagação do evangelho. Mesmo aqueles cuja vocação não envolve deixar a carreira profissional devem pregar onde estão e apoiar os evangelistas. “Missões se fazem com os pés dos que vão, com os joelhos dos que oram e com as mãos dos que contribuem”, diz a famosa frase. Contudo, exemplos inspiradores de missionários levam muitos a questionar: “devo estar entre os que vão?”, “Devo ser um missionário?”, “Devo deixar tudo e viver para evangelizar em algum lugar?”. Como podemos saber se nosso chamado é para ir? É o que Deus tem para nós? É dessa forma que devemos nos envolver com o evangelismo?

Esperamos que esta série de entrevistas ajude a esclarecer algumas dessas dúvidas. Conversamos com três missionários, envolvidos em projetos diferentes, para conhecer um pouco o que fazem, como vivem e o que dizem sobre o “chamado missionário”. Leia e inspire-se com os exemplos desses amados!


Na primeira entrevista da série, conversamos com Ana Carolina da Silveira, nossa querida Nana, que já participou do Eu vos Escrevi. Nana tem 23 anos e atualmente reside em Joanesburgo, África do Sul.

EVE: Nana, fale um pouco sobre os projetos missionários que você participa. Como eles funcionam?

– Nana: Eu participo da School of Missions. Uma escola de missões com turmas a cada três meses, e cada turma tem a duração de um mês. O foco é abrir os olhos para a dinâmica do Reino, ensinando as pessoas a serem relevantes onde estiverem.

Fora a School, participo do A4K, que não é necessariamente um projeto missionário, mas visa suprir as necessidades existentes no mundo. O projeto é uma ponte entre necessidades e pessoas. Abre nossos olhos para situações que estamos desapercebidos e mostra o que podemos fazer para mudar o mundo.

EVE: Quais são as atividades que você realiza nesses projetos?

– Nana: Nos dois projetos trabalho com criação de conteúdo. Na School produzo parte do material de divulgação, textos sobre os temas que falamos aqui e documentação do que as turmas vivem quando veem para cá.

No A4K pesquiso, escrevo, gravo vídeos e faço publicações sobre os temas que tratamos.

EVE: E como foi tudo isso? Como você foi parar na África do Sul? Como foi o seu chamamento para a vida missionária?

– Nana: Bom, desde criança eu sabia que iria um dia para a África. Sempre senti um ardor quando os irmãos africanos apareciam nas conferências internacionais da igreja e contavam seus testemunhos. Em 2016, numa  conferência, os irmãos falaram da School of Missions. Eu me emocionei muito! Uma das confirmações foi que a minha mãe sentiu que o chamado era real e se dispôs a me ajudar a vir para a África. Porém, sabíamos que ainda não era a hora, eu ainda estava no último ano da faculdade.

Assim que me formei, não conseguia encontrar um emprego, procurei em áreas que nem eram a minha e nada, e por estar sem dinheiro, entendi que não conseguiria vir para a África.

Na conferência de fevereiro de 2017, a esposa do meu pastor me chamou para perguntar por que eu tinha desistido e que se era meu chamado eu deveria ir, e a igreja iria fazer o possível para me ajudar. E assim o Senhor me disse “por isso que não te permiti encontrar um emprego”.

Conversei com minha mãe, depois abrimos o sentimento para o meu pai e em abril eu já estava com o passaporte e a passagem em mãos. Em junho cheguei na África, na intenção de passar 6 meses e depois voltar para a “vida normal”, mas logo que cheguei o Senhor me disse que era para a vida toda.

EVE: “Para a vida toda”! Como foi desistir de ter uma carreira profissional e viver integralmente para a obra missionária? Como ficam seus sonhos profissionais? E como sua família lida com isso?

– Nana: Olha, não é a coisa mais fácil do mundo. Meus maiores sonhos eram todos relacionados a minha carreira com a fotografia. Eu queria ter vários diplomas, mestrado, doutorado, ensinar sobre arte, trabalhar em galerias, etc. Sem contar que, de pronto, não foi tão simples para os meus pais entenderem. Chamamento é muito pessoal e nem sempre as pessoas ao seu redor compreendem o que Deus tem especificamente para você. Para minha família ser bem sucedido é trabalhar, se sustentar e tudo mais, mas esse não era o plano que Deus tinha para mim ( mesmo que esse tenha sido meu maior sonho durante um longo período da minha vida). Mas quando Deus dá a visão do Reino e do que Ele desenhou você para fazer, não tem como continuar com os seus próprios planos. Hoje, eu não consigo me enxergar fazendo outra coisa senão missão. Os sonhos acadêmicos ficaram para trás, porque eles não se encaixam no que Deus tem para mim (pelo menos não agora, se um dia, mais para frente, Deus quiser me acrescentar isso, então confio  que o desejo será restaurado).

EVE: Nana, você atendeu a um chamado do Senhor e tem bastante clareza do que Ele deseja para você. O que você diria a alguém que tem dúvidas sobre ter um chamado missionário? Como a pessoa pode saber com certeza se tem um chamado?

– Nana: Bom, primeira coisa: chamado existe para todo mundo, só que para cada um é um chamado diferente. Nem todo mundo vai ser missionário, nem todo mundo vai ser pastor, nem todo mundo vai ser mestre e por aí vai. Se seu coração arde por ir para algum lugar levar o evangelho, bom, então esse talvez seja o primeiro sinal de que você tenha um chamado missionário. Se você deseja abrir mão da sua vida profissional por Cristo, esse também pode ser mais um sinal.

Eu nunca imaginei que meu chamado fosse missionário, sempre quis ir para a África, mas achei que fosse por apenas um período, para viver a experiência. Só que quando comecei a viver, Deus me mostrou meu propósito.

Então se você sente o desejo de ser missionário ou se tem alguma dúvida do seu chamado, meu conselho é: dedique um período da sua vida numa missão, mesmo que seja curto. Você vai encontrar seu ministério quando separar um tempo 100% dedicado a Cristo, mesmo que ele não seja viajar quilômetros afora para evangelizar.

EVE: Muito bom! Para concluir, o que Cristo tem ensinado a você nesses últimos tempos e o que mudou na sua vida desde que se tornou missionária?”

– Nana: Eu tenho aprendido muito sobre confiar em todo tipo de provisão de Deus. Desde a emocional à financeira. Ele tem me ensinado muito que Ele é suficiente, que quando eu busco o Reino Dele em primeiro lugar, todas as coisas (que são da vontade Dele) me são acrescentadas.

Ele tem me ensinado sobre dar voz ao que aprendo, ou seja, a falar sobre tudo que tenho recebido Dele. E eu, que era uma pessoa que não gostava muito de falar, preferia ficar mais reservada, aprendi que quando falo o que Ele me pede, posso levar luz à vida das pessoas.

E, o mais importante, tem me ensinado muito sobre identidade, porque quer que eu fale sobre isso às pessoas. Eu acredito que tudo que Deus já me ensinou é porque eu era a primeira pessoa precisando aprender. Ele mudou minha vida me ensinando quem eu sou e é isso que me move a ser voz: levar as pessoas a saberem quem Deus diz que elas são.


Essa foi Nana Silveira para o Eu vos Escrevi. Somos muito gratos a ela por compartilhar conosco sobre seu chamado e nos ajudar com algumas dúvidas. Se você tiver mais perguntas ou quiser contribuir com os projetos mencionados, pode contatá-la em:

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Entrevistas da série:
O Chamado Missionário (1): Nana Silveira
O Chamado Missionário (2): Geraldo Ribeiro
O Chamado Missionário (3): Guilherme Galino