Deus disse: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.” (Êx 3:6).

Com o objetivo de conduzir um grupo de pessoas sob Seu nome e fazer desse grupo o Seu povo, Deus fez uma obra especial e particular em três pessoas: Abraão, Isaque e Jacó. Uma vez que esses três patriarcas são a origem da história do povo de Deus, suas experiências devem, também, ser as experiências de todo o povo de Deus.

A Bíblia registra a história dos Israelitas como um exemplo para nós (1Co 10:11). O princípio da obra de Deus nos dias atuais é mesmo do passado. Deus escolheu o povo de Israel para ser Seu povo, e também escolheu homens gentios para fazer parte do Seu povo (At 15:14; Ef 2:19; Rm 2:29). Diante disso, a história dos israelitas é um modelo para nós.

O povo de Deus

No Antigo Testamento, Deus refere-se a Si como o Deus de Abraão, Isaque e Jacó (Êx 3:6).  Essa mesma expressão é citada por Jesus no Novo Testamento (Mt 8:11, 22:32; Mc 12:26; Lc 20:37).

Para tornar-nos parte do povo de Deus, precisamos ter os elementos de Abraão somados aos de Isaque e os de Jacó. Dizer que Abraão é nosso antepassado não é suficiente, pois Ismael e os seus descendentes também o podem dizer. Além disso, não é suficiente dizer que Abraão e Isaque são nossa procedência, uma vez que ambos são pais de Esaú e sua descendência. O povo de Deus deve ter a convicção em dizer que sua origem está em Abraão, Isaque e Jacó.

O Deus de Abraão

Abraão inicialmente chamava-se Abrão. Ele teve seu nome mudado por Deus (Gn 17:5). Esses dois nomes são formados pela raiz Abra, que, em sua origem, significa pai. Dessa forma, a lição que aprendemos, a partir da vida de Abraão, foi a de conhecer Deus como Pai.

Isso significa que, pela experiência do Deus de Abraão, precisamos aprender que tudo vem de Deus. Ele é a origem de todas as coisas, e devemos perceber, através da graça, que nós não podemos iniciar nada. Amado leitor, que dia especial será quando Deus revelar-Se a você como seu Pai! A partir desse momento, você perceberá que não pode fazer nada e se sentirá impotente. Desse modo, não mais precisará privar-se de fazer isso ou aquilo. Em vez disso, antes de qualquer atitude você se questionará: “Foi Deus quem iniciou isso”?

Em si mesmo, Abraão não tinha a intenção de se tornar povo de Deus. Ele não iniciou nada. Foi Deus quem o chamou de uma terra idólatra e o levou para o lugar que manava leite e mel (Gn 12:1-5; Hb 11:8).

Quando você perceber que Deus é o Pai, você não ficará tão confiante, a ponto de dizer o que pode ou quer fazer. Apenas dirá: “Se o Senhor quiser, eu farei isso ou aquilo. Tudo o que Ele disser, eu farei”.

Aqui vale um parêntese: ao chamar Abraão, Deus fez uma exigência de que ele deveria deixar sua terra, sua parentela e tudo mais. Como resultado, por meio dele, Deus salvaria todas as famílias da terra. Entretanto, ao chamar Noé, a exigência de Deus foi diferente. Ao construir a arca, Noé levou toda a sua casa, ou seja, não abriu mão de nenhum ente amado. Contudo, somente sua casa foi salva do dilúvio, e todos os demais seres viventes sobre a terra se perderam (Gn 6:12-14; 7:1).

Diante disso, vemos que os planos do Pai para com seus chamados são diferentes. Chamamentos diferentes resultam em diferentes bênçãos. Portanto, não fique olhando para o que o Pai tem feito na vida das pessoas ao seu redor. Sua experiência é particular! Ele tem um plano para você, querido jovem! Aceite o chamamento Dele sem questionamentos ou comparações. Você e eu ainda não sabemos como Deus irá nos usar futuramente. Então creia que Deus sabe ser Pai, e que tudo coopera para o nosso bem (Mt 7:11 ; Rm 8:28).

O Deus de Isaque

A lição que aprendemos em Isaque foi que nada temos além do que herdamos do Pai. Em Gálatas 4:23, Isaque é mostrado como o filho da promessa. Assim, toda a vida de Isaque foi um desfrute da herança de seu pai.

Note que é impossível ter a experiência de Abraão sem ter a experiência de Isaque. Da mesma forma, é impossível ter a experiência de Isaque sem a de Abraão. Precisamos perceber que Deus é o Pai, e tudo procede Dele. Além disso, devemos ver que somos filhos e que tudo o que temos provém do nosso Pai.

Aos olhos de Deus Pai, somos aqueles que apenas recebem. A salvação, a vitória, a justificação, a santificação, o perdão, a liberdade e todas as demais coisas – tudo foi recebido!

Isaque recebeu de Deus exatamente o que Ele havia dado a Abraão anteriormente. Sua esposa Rebeca foi recebida (Gn 24:1-4), e até mesmo os poços que ele cavou haviam sido cavados anteriormente por Abraão; ele apenas os desentulhou (Gn 26:18). Todas as promessas de Deus feitas a Abraão foram recebidas por Isaque.

Aleluia! Tudo o que temos vem de Deus! Somos filhos de um Pai rico e doador!

O Deus de Jacó

Doutrinariamente, até podemos saber que Deus é o iniciador de tudo, não é mesmo? Entretanto, ao olharmos nossa experiência, vemos que ainda iniciamos muitas coisas. Agimos dessa forma independente porque Jacó ainda está presente em nós.

Querido leitor, necessitamos ver que Deus encabeça todas as coisas e somos aqueles que tudo recebem Dele. Mas, ao mesmo tempo, é necessário percebermos que dentro de nós há uma vida pecaminosa, recebida com a queda (Gn 3:6-7) e que deve ser tratada.

Jacó era uma pessoa extremamente esperta e capaz de enganar a qualquer um. Em sua história, vemos que esse homem astuto sofreu várias disciplinas vindas da parte de Deus. Todas as provações e experiências árduas, pelas quais passou, foram necessárias. Diante disso, todos, os que são capazes de maquinar alternativas para conduzir suas vidas segundo seus corações enganadores, irão se deparar com a mão de Deus sobre eles.

Na noite em Peniel, ao lutar com Deus, Jacó queria “se dar bem” e ser abençoado. Como consequência, teve a articulação da sua coxa tocada e nunca mais deixou de mancar (Gn 32:25). O osso da coxa, sendo a parte mais forte do corpo, indica que, naquele momento, Deus tocou na parte mais forte da vida natural de Jacó.

A partir daquele dia, Jacó se tornou Israel (28). Aquele que enganara o próprio pai foi enganado por seus próprios filhos (Gn 27:19; 37:28-35). Alguém tão esperto como Jacó jamais seria enganado, mas, ao ser tocado por Deus, ele se tornou outra pessoa. Ao longo de sua história, muitas lágrimas foram derramadas e toda sua força natural foi despojada por Deus.

Amado leitor, Deus precisa aparecer para cada um de nós e nos mostrar o quão malignos e perversos nós somos. Ao nos mostrar quem somos, Deus vem pôr um fim em nós e somos levados a admitir que estamos acabados. A partir desse momento, reconheceremos que não temos capacidade natural de servi-Lo. Por meio de toda essa disciplina, deixamos de confiar em nós mesmos.

O Deus de Abraão, Isaque e Jacó

Vemos no Deus de Abraão a figura de Deus Pai. Em Isaque, Deus nos aponta o Seu Filho. Em Jacó, por sua vez, é indicada a obra do Espírito Santo na vida de alguém que faz parte do Seu povo.

Abraão mostra-nos que tudo vem de Deus, e nada podemos em nós mesmos. Em Isaque, vemos que tudo vem de Deus, e nossa posição é receber. Entretanto, se apenas recebemos e não há disciplina do Espírito Santo, algo sairá errado, como exibido em Jacó. Um dia, o Senhor tocará em nossa coxa e tratará nossa vida pecaminosa, herdada em Adão. Assim, nos tornaremos humildes e O seguiremos em temor e tremor. Não mais seremos descuidados ou agiremos sem orar.

Para nós, é muito fácil desenvolver a nossa autoconfiança separada de Deus. Mas quando Ele nos tocar de maneira poderosa, passaremos a mancar. Ser manco não significa que não podemos andar, mas que, a cada passo dado, percebemos nossa fraqueza e incapacidade. Essa é uma característica comum de todos os que conhecem a Deus verdadeiramente.

Que nossos olhos sejam abertos para ver essas três experiências particulares, inter-relacionadas e necessárias para avançarmos no caminho de Deus como parte do Seu povo!


Texto extraído e adaptado do livro “O Deus de Abraão, Isaque e Jacó” –  Watchman Nee.

 

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